Os fenómenos de violência escolar e o aumento do comportamento violento em alguns adolescentes têm vindo a tornar-se um problema social real. As causas (sociais, culturais, psicológicas…) são muitas e a lista de atividades que são sinónimas de violência é também ela extensa.

O comportamento violento tende a surgir mais em adolescentes cujos pais se “demitiram” do seu papel enquanto educadores, há muito tempo. Esta renúncia parental pode assumir duas formas: um desinteresse imediato ou uma incapacidade de exercer a autoridade parental. Seja qual for a natureza desta demissão, gera entre muitos adolescentes a sensação de abandono construído a partir da acumulação de frustração emocional. Nesse sentido, o acting out é muitas vezes uma forma de gerir essa frustração transferindo-a para a vítima. A repetição de comportamentos violentos reflete portanto esse sofrimento psicológico, que agrava as perceções morais do jovem e a sua compreensão dos limites que devem regrar a relação com os outros.

Numa sociedade em que muitos adultos procuram obter uma satisfação imediata dos seus desejos, não é de estranhar que também alguns adolescentes adotem este tipo de representação. Contudo, o adolescente não tem os mesmos recursos internos que um adulto e acabam por não gerir o comportamento da melhor forma. Esta necessidade de satisfazer os seus desejos e vontades imediatas e o confronto com a realidade acaba por criar uma grande frustração, o principal motor de transição para o ato violento.

É portanto fundamental que os pais assumam o seu papel, colocando os limites necessários e comunicando abertamente com o jovem na gestão das suas emoções e comportamentos. É necessário agir no imediato! Aliás, o primeiro comportamento violento exige necessariamente uma resposta imediata! Não fazê-lo implica colocar a criança ou jovem em risco de inadimplência. A relação pai-filho deve ser sempre baseada no diálogo e escuta mútua, especialmente durante a adolescência.

Os professores estão mais alerta para ajudar os jovens a gerir melhor as suas emoções e conflitos que possam surgir e em parte dos casos são capazes de restabelecer um diálogo construtivo e parar os mecanismos psicológicos que levam à violência. Contudo, esta pretende ser uma chamada de atenção para os pais e professores aprenderem a interagir juntos e recorrerem sem hesitação a um psicólogo para intervir em casos de violência juvenil.


Joana Vilar


Fotografia de capa por Mr.TinDC