Na Polícia de Segurança Pública (PSP), existem dois pólos de formação,  o Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI) e a Escola Prática de Polícia (EPP). Atualmente, no instituto são formados os oficiais de polícia e na escola prática os restantes escalões operacionais, agentes e chefes. Estas são as duas vias de acesso à carreira Policial na PSP.

Talvez esta separação esteja no centro do descontentamento, sustentado em sentimentos que nos têm vindo a ser transmitidos pelos nossos associados, quando o estatuto profissional e o modo de desenvolvimento das oportunidades de carreira se verificam previligiando sobretudo os profissionais saídos do instituto superior, face aos demais.

Até mesmo no processo de colocações, os nossos associados têm vindo a manifestar algum desconforto no que toca à subvalorização do fator experiência profissional.

Apontando como exemplo as esquadras de competência específica, onde se inserem a investigação criminal, a fiscalização e intervenção policial, bem como o trânsito, há que valorizar a experiência adquirida pelos profissionais que exercem as funções há muitos anos, pois só com muitos anos de experiência se consegue uma perspetiva esclarecida quer do caminho percorrido quer daquilo que é preciso fazer para consolidar e potenciar a obtenção de resultados.

Não obstante a necessidade de serem reforçados os quadros com profissionais mais novos em todas as carreiras, há pois que aproveitar a experiência dos mais antigos, os que conseguiram reunir esse capital de conhecimento, para que ele não se perca.

Assim sendo, numa estrutura complexa, exigente e especificamente orientada para alcançar resultados qualitativamente superiores, como seja por exemplo a área da investigação criminal, a estrutura deve poder contar com a experiência dos que a ajudaram a fundar-se e a desenvolver-se, claro está com a sempre necessária contribuição de pessoal mais novo, ainda que estes, para reforçar devidamente o contingente, devam poder aprender ao longo dos anos com os mais velhos aquilo que não se consegue aprender, porque também não se consegue ensinar, nos bancos da escola ou da universidade.

Não querendo colocar em causa as escolhas da hierarquia de comando, gostaríamos sobretudo de chamar a atenção para a necessidade de garantir que as estatísticas de produtividade possam ser o reflexo de mais qualidade na obtenção de resultados, para isso bastando a reunião de básicos requisitos: meios, pessoal experiente e motivado e a plena articulação com a tutela da ação penal, exercida pelos senhores procuradores do ministério público.

The following two tabs change content below.

António Loura

Presidente da Direção Distrital de Setúbal da ASPP-PSP

Últimos textos de António Loura (ver todos)