Para muitos portugueses, o primeiro dia de Agosto marca o início de uma viagem até às movimentadas praias do Algarve, os números indicam que o Algarve é responsável por cerca 70% do turismo interno, mas hoje apresento-vos novas propostas: vamos passear pelo país, de norte a sul haveremos que encontrar um bom sol, boa comida, bom descanso… tudo o que um português pode querer.
Começamos pelo bom Sol, mas para melhor o aproveitarmos que tal mais perto dele, não mais para sul, mas mais alto. Vamos à serra da estrela. Sim, porque a serra da estrela ainda está lá no Verão. Vamos.
Em pleno Parque Natural da Serra da Estrela e a 18 km de Seia encontramos a praia fluvial de Loriga, uma das finalistas das “7 Maravilhas – Praias de Portugal”, na categoria de Praias Fluviais. A única praia portuguesa situada num vale glaciário.
Os locais adoram-na, basta um pouco de Sol para encontrarmos grupos de adolescentes a percorrem o quilómetro da vila de Loriga à praia fluvial, a pé, à beira estrada, com as suas toalhas às costas. Mas nós vamos de carro, as vistas lá de cima são sublimes, uma oportunidade fotográfica a cada curva, e são muitas (curvas e oportunidades fotográficas) serra acima. Chegamos quando encontramos um enorme plátano de guarda a uma pequena ponte. Procuramos lugar para estacionar (que dependendo da hora pode ser um pouco complicado, mas nunca complicado tipo “trânsito das 9h”). E de máquina fotográfica em punho lá nos dirigimos para a praia fluvial. Aqui não encontrará um extenso areal de areia branca, não, aqui os encantos são outros: a natureza, o ambiente, a calma e a serenidade.
No meio de um verdejante vale de rochas e socalcos temos a praia fluvial de Loriga, aproveitando em socalcos o curso da Ribeira de Loriga, que nasce no planalto superior da serra da Estrela, temos as diversas “piscinas” de água pura e cristalina. Esta praia possui 3 piscinas sendo 2 delas dedicadas aos mais pequenos, pois com cerca de 50 cm de profundidade é perfeita para os mergulhos dos mais novos. Na piscina superior (a mais profunda) é possível partilhar a água com pequenos anfíbios, não que eles invadam o seu espaço, mas sim quando invade o deles, as libelinhas a voar, o fundo cristalinamente visível, tudo é calmo e sereno… a água é que poderá estar um pouco fria, mas para um quente dia de verão está perfeita.
Também encontra um pequeno bar, para um bom final de tarde de volta de uma ou duas imperiais, uns balneários, diversos locais para estender a sua toalha, quer ao sol quer à sombra, um parque de merendas e um pequeno parque infantil para os mais pequenos composto por escorrega, baloiço e “sobe e desce”, tudo isto numa caixa de areia, relativamente limpa, que também permite a construção em areia, bolos e castelos serão as mais comuns.
Agora vamos para sul, para Santiago do Cacém, lá vamos ao novo restaurante local, o Mercado à Mesa, localizado na antiga galeria da peixaria do mercado local, agora totalmente remodelada, excelente imagem, excelente decoração e nem é caro (por pessoa, cerca de 15€). Sentamo-nos, sala decorada com muito bom gosto, pormenores da decoração com reminiscências do local, como uma bancada do mercado do peixe (com o peixe para venda no restaurante), esperamos um pouco e lá vêem os pratos. O pior polvo à lagareiro que já comi. Não sou especialmente esquisito com a comida, e para falar verdade nem é um prato que coma muitas vezes mas além do polvo estar bem cozido, tudo o resto no prato era um desastre. Nada naquele prato tinha visto o forno, polvo cozido, um pouco de azeite aquecido com alhos e coentros derramados por cima do polvo (que estava bem cozido), batatas cozidas e esmadas com uma colher e para finalizar, os vegetais estavam frios. Enfim, não havia qualquer ligação entre os sabores, não era polvo à lagareiro, era apenas um desastre (mas parece que tive azar)… Não sei se lhe darei outra oportunidade.
Próxima paragem, Beja. Mas para retirar o sabor da má refeição anterior vamos ver (e comer) as deliciosas uvas do Vale da Rosa, uma Herdade com cerca de 300 hectares é actualmente o maior produtor nacional de uva de mesa com uma área de produção de cerca de 250 hectares (e a crescer) e 12 variedades de uva de reconhecida qualidade, branca, preta, com ou sem grainhas é só escolher. Pode visitar esta exploração à quinta-feira, mas convém marcar. Este é um exemplo, mas nesta região existem muitas outras boas produções, a água do Alqueva veio ajudar para o desenvolvimento agrícola da região.
Já que aqui estamos não podemos deixar de visitar uma tristeza nacional, o Aeroporto de Beja. Aeroporto esse que, segundo dados da ANA – Aeroportos de Portugal do ano passado, processou, nos primeiros três anos de vida, 6.624 passageiros (seis mil, seiscentos e vinte e quatro passageiros, não é engano…) e realizou 245 movimentos de aeronaves. Aparentemente nenhuma companhia aérea de voos regulares mostrou interesse em usar o aeroporto de Beja, aparentemente porque, novamente segundo a ANA, a suspensão da maioria dos projetos turísticos previstos para o Alentejo eliminou a relevância do transporte de passageiros na infra-estrutura. Mais quais projectos?! Porque estavam previstos, segundo os estudos que apoiaram a construção do aeroporto, o transporte de 178.000 passageiros em 2007 e de 1,8 milhões de passageiros em 2020 (por exemplo, o aeroporto de Faro transporta cerca de 5 milhões de passageiros por ano).
A 12 km de Beja encontramos o pequeno aeroporto, sem qualquer trânsito, sem qualquer autocarro, sem qualquer passageiro. Nota-se o envelhecimento dos carros de bagagem, ao sol, esperançadamente à espera de um utilizador. Menos esperançados estão os carros dos funcionários, que tão convictos da não visita de qualquer desconhecido ficam nas poucas sombras do parque de estacionamento de vidros abertos (os carros, não os funcionários), para melhor suportarem este sol alentejano.
O custo, 33 milhões de euros, foi atribuído à ANA antes da privatização e hoje a infra-estrutura não constitui hoje qualquer encargo para os contribuintes, mas claro que desde a privatização as taxas aeroportuárias já foram revistas sete vezes, aumentando as de Lisboa, Porto e Faro.

Agora, depois de um dia perfeito vamos de volta para Setúbal, para um copo do bom moscatel, roxo, com duas pedras de gelo e uma rodela de limão…
P.S.: E para todos os que lançam as beatas enquanto circulam nas nossas estradas (além de ser proibido, pois segundo o Código da Estrada lançar lixo do carro pode resultar em coimas entre 60 e 300 euros) podem, se não quiserem sujar o cinzeiro do carro, pô-las no c*. O número de incêndios à beira da estrada por esse pais fora é elevadíssimo, claro que não assumimos que todos os incêndios de beira de estrada começam a partir de beatas (segundo um estudo realizado na Austrália apenas 4% das beatas provocam incêndios) mas especialmente sob condições climáticas propicias a incêndios os ocupantes dos veículos deveriam abster-se de lançar beatas do carro, durante o resto do ano podem ser pessoas com um grave défice de educação cívica à vontade…

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Rui Pereira

Membro da Direção da Associação Cultural e Artística Elucid’Arte
Nascido em Setúbal, Licenciado em Arquitetura pela Universidade Moderna de Setúbal, Licenciado em Engenharia Civil pela Escola Superior de Tecnologia do Barreiro – IPS, inscrito nas respetivas Ordens Profissionais e Doutorando em Arquitetura, especialidade de Teoria e Prática do Projeto, na Faculdade de Arquitectura – ULisboa. Domínios de atividade profissional: Gestão de projetos e obras, Auditoria e Fiscalização, Consultor e Formador. Membro da Direção da Associação Cultural e Artística Elucid’Arte desde 2008.

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