Embora as emissões de Gases com Efeito de Estufa (GEE) em diversos setores da economia tenham vindo a baixar desde a década de 1990, as dos transportes continuaram a aumentar até 2007. Atualmente, os transportes são responsáveis por cerca de um quarto das emissões de GEE da União Europeia e dependem do petróleo em 94% das suas necessidades energéticas. Tornam-se assim um importante alvo nos esforços da União Europeia para combater as alterações climáticas e otimizar a nossa utilização de energia.

A nova estratégia de mobilidade de baixas emissões visa contribuir para reduzir ainda mais as emissões do setor dos transportes através de uma gestão mais eficiente dos sistemas de transportes, tirando o máximo partido das tecnologias digitais, um maior alcance dos combustíveis alternativos e a transição para veículos de baixas, ou mesmo zero, emissões. O apoio da ciência é fundamental para alcançar estes objetivos.

Os automóveis destacam-se como os maiores consumidores de energia no transporte rodoviário e o seu número na União Europeia aumentou 23% entre 2000 e 2013. Os portugueses quando compram um carro novo parecem preferir os veículos com menor pegada de carbono. De acordo com dados de 2013, os cidadãos portugueses estão entre os líderes europeus na compra de automóveis novos com emissões mais baixas, com uma média de 112,2 g de CO2/km, ficando apenas atrás dos Países Baixos (109,1 g de CO2/km) e da Grécia (111,9 g de CO2/km).

Para ajudar os cidadãos a compreender o impacto das suas escolhas de carro e estilo de condução nos custos de combustível e nas emissões de CO2 – e de forma a contribuir para que os reduzem – o Centro Comum de Investigação (CCI) desenhou a Green Driving Tool. Esta aplicação interativa – online em https://green-driving.jrc.ec.europa.eu/#/ – estima as emissões de CO2 e os custos de combustível, para uma dada viagem de automóvel com base na rota e outras variáveis como, por exemplo, o peso do carro, os preços dos combustíveis, o número de passageiros ou o peso da bagagem. Permite, assim, aos utilizadores comparar as diferentes opções e respetivos custos.

Vejamos um exemplo concreto: a viagem de 278 km entre Lisboa e Faro para três passageiros e 20 kg de bagagem num carro pequeno a gasolina, adotando um estilo de condução suave, custa 22,42 EUR e emite 37,81 kg de CO2. A mesma viagem com um veículo tipo SUV a gasolina, com estilo de condução agressiva custa 34,25 EUR e produz 52,55 kg de CO2. Com o ar condicionado ligado, o custo de ambas as viagens aumentaria em 3€ e geraria cinco quilos adicionais de CO2. Embora possa parecer trivial à primeira vista, considerando que existem 4,3 milhões de automóveis registados em Portugal, a diferença entre as duas opções apenas para esta viagem representariam cerca de 26 milhões de euros de custos extra para a economia portuguesa e mais de quatro milhões de toneladas de CO2.

Caminhar na direção de emissões mais baixas e do uso de combustíveis mais ecológicos trará outros benefícios: a melhoria da qualidade do ar, a redução dos níveis de ruído, a redução do nível de congestionamento e mais segurança. Mas antes de tudo isto se tornar realidade, e graças aos cientistas da Comissão Europeia, já pode começar a planear as suas viagens de forma mais ecológica.

Fotografia de abhisawa

Tibor Navracsics

Comissário europeu responsável pela Educação, Cultura, Juventude e Desporto
Comissário europeu com a pasta da Educação, Cultura, Juventude e Desporto, é um político Húngaro. É responsável pelo serviço de ciência e conhecimentos da Comissão Europeia, o Centro Comum de Investigação (CCI), que lançou recentemente uma estratégia europeia de mobilidade com baixas emissões. A redução das emissões de CO2 é uma das prioridades da Comissão Juncker, que pretende garantir uma energia segura, a preços acessíveis e respeitadora do clima. O objetivo mínimo acordado pela UE de emitir 40% menos Gases com Efeito de Estufa até 2030 é um primeiro passo.

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