Estamos no início de mais um ano e, naturalmente urge ser feito um balanço à criminalidade no distrito de Setúbal. No último Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) publicado, o de 2013, Setúbal, seguindo uma tendência de há muitos anos, é o terceiro distrito com os índices mais elevados de criminalidade e, diz o mesmo documento, em conjunto com os distritos do Porto e de Lisboa, totalizam 71% do total da criminalidade participada a nível nacional.


Este balanço pode ser feito, naturalmente, mas julgo que já começámos mal o ano nesta área. A pergunta inevitável que se coloca no início de cada ano e independentemente dos números que já foram ou que se possam a apresentar é a seguinte: os setubalenses sentem-se mais seguros?


Naturalmente que ainda não foi publicado o RASI do ano anterior, pelo que, sem prejuízo dos critérios utilizados e que já critiquei tantas vezes, ainda não existem números oficiais.


Contudo, a imprensa, em Setembro do ano anterior avançou alguns números fornecidos pela PSP e pela GNR que davam conta que Palmela, Grândola e Sesimbra eram os concelhos com os índices mais elevados de criminalidade do distrito de Setúbal. Esta é uma realidade que merece uma análise atenta, já que seria expectável que no topo das estatísticas estivessem concelhos que habitualmente são conotados com maior probabilidade de ocorrência de crime, como Almada, Seixal ou o Barreiro, não só por serem mais populosos, mas também pelas suas características e heterogeneidade socioeconómica. Os concelhos que estão no topo dos números de crime são também todos na área da actuação da GNR, motivo pelo qual não podia deixar de referir esta nova realidade. Estes números vêm dar razão ao que sempre tenho defendido, que o RASI devia indicar a criminalidade por zona de actuação de cada força de segurança e por concelho, só assim poderíamos agora efectuar uma análise comparativa e equacionar eventuais soluções de forma mais rigorosa.


Mas, quando no início desta crónica referia que começámos mal o ano, estava-me a referir a outro aspecto. Os deputados do PSD eleitos por este distrito reuniram com o Comandante do Destacamento Territorial de Setúbal da GNR e com o Comandante Distrital da PSP de Setúbal. Traçaram um cenário cor-de-rosa da criminalidade, que segundo referem, tem descido de forma consistente desde 2011. Apresentam rasgados elogios à actuação das forças de segurança, a quem atribuem estes resultados positivos. “Estas duas reuniões inserem-se num conjunto de visitas mais alargado que os deputados do PSD do Distrito de Setúbal irão fazer durante o mês de Janeiro, que será dedicado à temática da segurança.” – refere a página do Grupo Parlamentar do PSD.


Ora, já que este partido do Governo reconheceu que as questões da segurança são uma temática importante no distrito de Setúbal, gostava de, publicamente deixar-lhes aqui um convite. Convidava os senhores deputados a visitarem as instalações da GNR. Deixo, desde já duas sugestões, sendo que não são casos únicos: os Postos Territoriais da Moita e de Paio Pires. O primeiro encontra-se em condições de absoluta degradação e, o segundo, igualmente degradado, funciona num casebre, onde até ratazanas existem.


Trata-se de duas situações bem conhecidas por parte da Tutela e, sendo o PSD o partido maioritário no executivo governamental, não fará sentido que os deputados demonstrem tanta preocupação com a segurança e passem ao largo das péssimas condições em que trabalham os elementos da GNR e em que os cidadãos são atendidos, sem privacidade e sem direito às condições mínimas de dignidade que devia ter uma instituição de segurança pública.


Nota: o autor não usa o Novo Acordo Ortográfico.

Fotografia de capa por FiDalwood

The following two tabs change content below.

José Soares

Dirigente da APG/GNR

Últimos textos de José Soares (ver todos)