Em Fevereiro de 2014 iniciei a minha colaboração com o “Setúbal na Rede”, através de um convite do Pedro Brinca, numa tentativa de trazer novidade, dinâmica e diversidade ao canal “Mar e Rio”. A pouca experiência que apresentava estava muito dirigida para artigos técnicos de desporto náutico, mas aceitei o convite convicto que a partilha de conhecimentos e opiniões pode abrir novas discussões e realidades que a longo prazo vão trazer empreendedorismo e dinâmica ao “nosso mar”!


Hoje, passado um ano de artigos dos vários colaboradores ligados a esta temática, e com o novo diretor que acredita na união de esforços e trabalho colaborativo, urge traçarmos um caminho que envolva os vários agentes de ensino e formação, quer desportiva quer cultural, quer social quer empresarial, em sintonia com um objetivo de “aculturação náutica”, combatendo a “iliteracia” que nesta área ainda existe.


As Federações Desportivas têm melhorado o seu processo de formação de agentes e de relação com a comunidade, e com a qual são desenvolvidos vários projetos de prática desportiva sem qualquer cariz competitivo, no sentido de aumentar essa mesma prática no seio da nossa população.


A ligação entre o sistema de ensino público e privado carece ainda de trabalho e de sintonia, na procura de enraizarmos a náutica nos nossos jovens, que podem no futuro dotar o país de uma ligação e aproveitamento dos recursos naturais e conhecimentos ao panorama económico e empresarial. Os currículos escolares necessitam de mais “mar”, mais ligação às indústrias marítimas, aos desportos náuticos, à pesca, aos recursos subaquáticos, à história e à cultura de uma nação de cresceu à beira-mar plantada, mas que esquece que o território marítimo é 10 vezes superior ao terrestre.


O desenvolvimento das energias renováveis e do aproveitamento ao nível do mar está ainda embrionário, e por vezes aposta-se no conhecimento tecnológico, mas não especificamente na gigantesca “massa de água” que dispomos ao nosso alcance. Países de pequena dimensão, mas com forte aposta na cultura marítima vingaram nos últimos séculos, tal como nós o fizemos durante os descobrimentos.


Está na hora. É este o momento, e mesmo para aqueles que não usufruem de mar à porta, mas que são agraciados por um pedaço de rio, de lago, albufeira ou simples curso de água, podem fazer peso na economia e na cultura nacional.


Um obrigado ao “Setúbal na Rede” pela oportunidade, e a todos os leitores pelas críticas e opiniões que me são dirigidas. Fazemos todos parte de “um todo”, e o qual só funciona com partilha de informação e pontos de vista.


Acreditem na marca nacional “mar” e continuem a lutar por isso!Fotografia de capa por Leimenide

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Ivo Quendera

Licenciado em Desporto

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