Realizou-se no passado dia 28 de Fevereiro, no Auditório da Escola Técnico Profissional da Moita, um workshop intitulado “Turismo, das potencialidades aos produtos – Sustentabilidade, empregabilidade”.

Este encontro foi promovido por uma parceria estabelecida entre a CACAV – Circulo de Animação Cultural de Alhos Vedros, a Quercus – Núcleo Regional de Setúbal e a Rede para a Empregabilidade Barreiro-Moita. O envolvimento da Quercus neste encontro enquadra-se, por um lado, na visão do Núcleo acerca do desenvolvimento sustentável na Península de Setúbal, que passa pelo aproveitamento de alguns recursos endógenos, incluindo o potencial de turismo de natureza, e por outro lado decorre, na prática, de contactos anteriores estabelecidos quer com a CACAV, quer com a RUMO.

A Rede para a Empregabilidade Barreiro-Moita tem desenvolvido um conjunto de fóruns sobre o desenvolvimento local, onde se têm debatido temáticas diversas, incluindo a área do turismo relacionada com a zona ribeirinha, tendo a Quercus participado num desses debates, onde chamou a atenção para a necessidade de os municípios deixarem de estar tão centrados no “hardware”, ou seja, nas infraestruturas e no imobiliário, mas mais no “software”, ou seja, nos serviços que se podem criar, na valorização e promoção daquilo que já existe, discurso que o Núcleo também transportou para o Conselho Estratégico da Reserva Natural do Tejo, nomeadamente do contexto do desenvolvimento de Alcochete.

A Quercus tem intervindo também em alguns eventos promovidos pela CACAV, um dos últimos uma Conferência sobre património natural e cultural, no contexto das Comemorações de 500 anos do Foral de Alhos Vedros. Nesse mesmo encontro suscitou-se a conclusão de que na região existe um vasto conjunto de valores patrimoniais e que urge colocar em evidência e inserir em rotas e produtos turísticos já existentes ou a criar.

Tal desígnio está de algum modo expresso na atual Estratégia de Turismo da Região de Lisboa, a qual foi inclusive objeto de um parecer da Quercus, elaborado pelo Núcleo de Setúbal. Essa estratégia prevê que a região de Lisboa seja um dos destinos mais diversificados da Europa e propõe o desenvolvimento de produtos turísticos no arco ribeirinho sul do Tejo, destacando nomeadamente as potencialidades da paisagem, da natureza e das embarcações típicas. Não prevê a construção de grandes empreendimentos, mas sim a integração de serviços/produtos turísticos na oferta da região, potencializando assim – pelo menos do ponto de vista teórico – uma valorização sustentável dos territórios da chamada “margem sul”.

Assim, através do workshop sobre “Turismo – das potencialidades aos produtos. Sustentabilidade e Empregabilidade”, a Quercus e os restantes promotores quiseram dar sequência a esses debates e ideias, passando a um patamar seguinte, de identificação de oportunidades e vias de ação concretas e exequíveis. O programa contou com a intervenção das três entidades promotoras na Mesa de Abertura e com o Vereador do Pelouro das Atividades Económicas do Município da Moita, que inclui o Turismo, que também participou ativamente no workshop.

A Quercus procurou frisar logo na abertura que, apesar de desempenhar frequentemente um papel de denúncia, tem também a preocupação de apresentar alternativas de desenvolvimento sustentável, e nomeadamente no contexto social e economicamente desfavorecido da Península de Setúbal. Aliás, nesse contexto, o Núcleo de Setúbal apresentou no ano passado uma proposta ao Município da Moita, para desenvolvimento e promoção, a título gracioso, do birdwatching na zona ribeirinha da Moita.

Entre os oradores esteve o Eng.º Jorge Humberto Silva, representante da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, o Eng.º Santos Orlando, sócio da Escola Técnico Profissional da Moita que destacou a formação na área da restauração e a empregabilidade que os alunos têm conseguido obter, e o Chef Tiago Santos, docente na mesma escola, que tem procurado pesquisar e trabalhar sobre o receituário tradicional da região, o que considera um factor de desenvolvimento dos recursos da região.

Seguiu-se o workshop propriamente dito, focado no turismo no concelho da Moita e arco ribeirinho em que os participantes, reunidos em grupos, circularam por várias mesas, cada uma com o seu tema, dando contributos para esse tema, no caso: pontos fortes e oportunidades, pontos fracos e ameaças e finalmente uma mesa para reunir sugestões de produtos/serviços turísticos. Este exercício coletivo demonstrou-se bastante produtivo, reunindo contributos úteis e bastante assertivos, que foram apresentados a todos no final. Por último, solicitou-se a todos os participantes que sugerissem próximos passos a dar, tendo ficado claro das respostas que a dinâmica criada deve continuar.

Assim, a comissão organizadora, em reunião de balanço posterior decidiu continuar o processo, havendo a possibilidade de se poder desenvolver e consolidar o trabalho iniciado através da Rede de Empregabilidade Barreiro-Moita, o que permitirá beneficiar o processo com contactos e sinergias fundamentais para se atingirem alguns objetivos concretos.

Pouco antes, a Quercus foi convidada para participar na candidatura DLBC (Desenvolvimento Local de Base Comunitária), promovida pelo Município do Barreiro, tendo também procurado integrar processo idêntico promovido pela ADREPES, agência de desenvolvimento regional da Península de Setúbal, na sequência de um parecer que o Núcleo emitiu sobre o PEDEPES – Plano Estratégico de Desenvolvimento da Península de Setúbal.

Em suma, o Núcleo de Setúbal da Quercus procura ativamente, também através da participação neste tipo de processos para o desenvolvimento, contribuir para a missão principal da Quercus: promover o desenvolvimento sustentável.

Fotografia de capa por nmorao

The following two tabs change content below.

Carla Graça

Presidente do Núcleo Regional de Setúbal da Quercus
Nascida em Lisboa, adoptou a Península de Setúbal como local dos seus afectos desde 2003, residindo actualmente em Alcochete. Licenciada em Engenharia do Ambiente e actualmente Mestranda em Engenharia e Gestão da Água, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Abraçou a causa ambientalista ainda na sua adolescência, em 1987, participando activamente em várias associações. É desde 2008 Presidente do Núcleo Regional de Setúbal da Quercus e desde 2009 membro da Direcção Nacional.

Últimos textos de Carla Graça (ver todos)