De acordo com a PIVETUR (Associação Portuguesa de Turismo Rural) o turismo rural consiste numa indústria do turismo localizada em áreas rurais e com uma envolvente natural, desenvolvida por empresas familiares de pequena escala.


De acordo com esta associação, a taxa de inovação na indústria do turismo rural é muito baixa comparativamente com outras indústrias de serviços. Trata-se de uma indústria caracterizada por empresas de pequena dimensão e uma falta de confiança e cooperação entre as mesmas, onde a pouca proatividade em termos de parcerias colaborativas condicionam a transferência de conhecimento e experiência, assim como a capacidade inovadora destas empresas.


Apesar das redes colaborativas serem entendidas consensualmente como uma estratégia fundamental para o desenvolvimento das regiões, e prova deste entendimento reside no número elevado de entidades (104 entidades) que assinou o Protocolo de Cooperação “Turismo 2020 – Plano de Ação para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal”, a promoção do processo colaborativo e o desenvolvimento de parcerias com os vários agentes envolvidos na indústria do turismo rural necessita de acontecer não somente ao nível nacional, mas também regional e particularmente local.


As redes de inovação colaborativas são fundamentais para a geração de informação e experiências, sendo um facilitador da cooperação entre as empresas. Estas redes podem contribuir para a criação e desenvolvimento de produtos turísticos integrados, aproveitado sinergias entre empresas e territórios, gerando oportunidades para a criação de negócios em formato colaborativo.


A oferta integrada deve estar suportada nos aspetos diferenciadores do turismo rural. Em regiões, nomeadamente na região da Península de Setúbal, onde a riqueza e a diversidade de produtos podem gerar uma complementaridade com valor agregado significativo, surge um grande desafio para os agentes envolvidos no turismo rural. Em particular os empreendedores de turismo rural devem ter um conhecimento profundo das suas valências, assim como dos serviços completares, dos territórios e seus recursos endógenos.


Uma estruturação da oferta que integre serviços básicos, serviços especializados e serviços complementares, num modelo de negócio inovador e diferenciador pode constituir o segredo do sucesso da indústria do turismo rural e um veículo de extrema importância para o desenvolvimento regional da Península de Setúbal.

Fotografia de capa por Gustty

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Teresa Costa

Professora Adjunta na Escola Superior de Ciências Empresariais
Professora Adjunta no departamento de Economia e Gestão do Instituto Politécnico de Setúbal, é atualmente Diretora do Mestrado em Ciências Empresariais e da Pós-Graduação em Gestão e Marketing Turístico. Doutorada em Gestão encontra-se a fazer o pós-doutoramento em Gestão na Universidade de São Paulo, sobre o tema do Empreendedorismo e Capital Social em Turismo Rural. É autora de capítulos de livros e vários artigos científicos publicados em jornais e revistas nacionais e internacionais. Faz parte de vários projetos de investigação nacional e internacionais e de comités científicos de diversas conferências e revistas internacionais.

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