A 1 de Setembro apresentaram-se nas escolas os professores que terão como missão lecionar o próximo ano letivo que agora se inicia. Entre as incertezas de muitos as certezas de alguns que por não se encontrarem colocados, passam este primeiro de Setembro no centro de Emprego apresentando-se como desempregados. A escola está hoje pior do que há quatro anos atrás. Há menos alunos, há menos professores e há essencialmente menos vontade de transformar.

Um novo ano é decisivamente um novo repto. Serão novos alunos, novos espaços, novos colegas, para muitos docentes novas escolas. É uma adaptação constante e uma incerteza que se instala. Os alunos são diferentes obrigatoriamente, novas experiências, novos sentires e novas reflexões. Muita indisciplina pulula nas escolas. Mesmo com um estatuto do aluno deste Sr. Ministro que não gostava, nem se revia, nada do anterior mas que promoveu um muito parecido em que mais parece que o preâmbulo da lei não foi feita por quem escreveu depois os diferentes artigos. As escolas “gastam” muito tempo a resolver ou a tentar resolver as questões de indisciplina. São alunos a quem a resposta formativa existente não satisfaz, alunos a quem poucos já toleram as suas leviandades e alunos que poderiam ter um outro tipo de resposta se houvessem centralmente capacidade para perceber que cada caso é um caso muitas vezes motivado por questões muito dispares entre si.

As respostas formativas são muitas vezes vetadas às escolas, porque fala-se muito de autonomia mas não se permite que as escolas possam, no âmbito dessa propalada autonomia, decidir que cursos e em que circunstancias se poderão abrir novas ofertas formativas. Mas voltemos aos alunos. Diferentes de ano para ano. Exigentes de ano para ano e principalmente diferentes nos seus percursos. Nós professores formatamo-los e queremos que eles atinjam resultados de acordo com as metas curriculares. Depois perdemos alunos. Sim “perdemos alunos” por muito que não queiramos falar disso continua a existir abandono escolar. Numa escala muito diferente da que existia antes, mas ainda vai reinando pelas nossas escolas esse abandono.

Lá estaremos a preparar o plano de atividades para o próximo ano letivo por vezes sem termos avaliado o relatório de atividades do ano letivo anterior. Isto poderia servir-nos de algo mas poderemos dizer que também os alunos já serão outros e que as exigências serão diferentes em relação ao ano letivo anterior. Mas não será sempre um ponto de partida? Temos de ser diferenciadores e ter a noção que hoje aprende-se de forma muito diferente daquela que nos proporcionou aprendizagens e desenvolvimento.

Ser professor é um desafio constante. É uma permanente adaptação a uma realidade que se transforma e que vertiginosamente se precipita em algo que pode surpreender. O desgaste dos professores advém desta incerteza, desta necessidade de estar permanentemente alerta e disponível para de hora a hora alterar estratégias e metodologias de trabalho que sirvam quem nesse momento está na sua frente. Não vale a pena virem com histórias de público e privado, porque os professores foram formados nas mesmas universidades…não há universidades que formem professores para o público e outras para o privado. Há é mais uma vez alunos diferentes num e noutro sistema que têm características diferentes e capacidades económicas muito diferentes. Isto deveria ser levado em conta quando se apresentam pretensos rankings onde o incomparável, em face do ponto de partida, quer ser medido pelo mesmo padrão.
Fotografia de US Department of Education

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José Carlos Sousa

Professor
Formação inicial magistério primário de Lisboa, Licenciatura em educação física - Escola Superior de Educação Almeida Garrett; Doutorado em Ciências da educação ramo de administração e gestão educativa pela Universidade de Évora e, Politicas de descentralização e desconcentração: o papel das equipas de apoio às escolas na implementação das medidas de politica educativa entre 2005 e 2011. Vereador na Câmara Municipal de Palmela entre 2005 e 2013. Coordenador educativo da península de Setúbal sul 2005 e 2006. Coordenador da equipa de apoio às escolas da península de Setúbal sul (concelhos de Setúbal; Sesimbra, Montijo; Alcochete e Palmela) de 2006 a 2011. Formador da Direção geral de educação na área da proteção à infância e Juventude.

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