Passada mais esta campanha eleitoral para eleger um novo governo, constatamos que existem ainda cartazes e propaganda espalhados por todo o país.

Há diversas formas de propaganda que estão claramente ultrapassadas. O panfleto perdeu o seu poder, “muitas letras juntas ninguém lê”. Foi substituído pela imagem, preferencialmente em outdoors gigantes. O autocolante está também a desaparecer, assim como a diversidade de brindes e o plástico (sacos, por exemplo). Mantêm-se as canetas, as camisolas, os bonés, as bandeiras e bandeirolas. Mas parte deste material é para “colorir” os apoiantes e participantes da campanha, mais do que para oferecer nas ruas.

A questão é: Para onde vai o material de campanha? Qual o destino dos cartazes usados nas campanhas eleitorais depois da contagem dos votos e do glamour dos holofotes? Segundo a lei de financiamento dos partidos, os meios físicos utilizados pelos partidos políticos para fazerem passar a sua mensagem não podem ser utilizados em campanhas posteriores. Cada partido político tem a sua estratégia e meios, bem como o dever/responsabilidade de recolher o material publicitário e de lhe dar a utilidade que entender.

Atualmente existem organizações não governamentais (ONG) e Associações de diversas áreas de intervenção que olham para esse material de campanha, nomeadamente para as telas dos outdoors e encontram outras aplicações e utilidades não políticas. Estas ONG e Associações, que abrangem territórios além-fronteiras, veem estes materiais como matéria-prima para, por exemplo, impermeabilização de solos, construção de tendas ou coberturas de casas ou instituições sem telhado. Depois de transformadas podem servir para a criação de sacos ou mochilas escolares.

De qualquer modo, é imperativo que esse material de campanha seja recolhido para não sermos obrigados a suportar a poluição visual implícita. Termos cartazes de campanha expostos durante meses depois das eleições é algo que não deveria ser permitido e, seja qual for a força politica, responsabilizada pela inoperância nesta matéria.

Como já referi anteriormente, quanto maior a quantidade de resíduos gerados, maiores serão os custos de limpeza. Custos que poderiam ser canalizados para a saúde, educação… Aliás, é mesmo necessário termos esta invasão de cartazes, bandeirinhas e bandeirolas em tempo de campanha eleitoral? Em pleno século XXI será que ainda resulta? Quanto se gasta nesta azáfama de imagem e poluição visual?

Sabe que as subvenções dos partidos políticos, os custos da campanha eleitoral e os gastos com esses outdoors, bandeirinhas e bandeirolas são pagos com os nossos impostos? Com os seus impostos?

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Olga Paredes

Engenheira Química, Ambiente e Qualidade
Licenciada em Engenharia Química - Ambiente e Qualidade. Pós-graduação em Gestão de Laboratórios. Mestrado em Análises Químicas Ambientais. Profissionalmente, desempenho funções de coordenadora de departamento de laboratórios. Assumi, durante 2013, o cargo de vereadora do pelouro da sustentabilidade ambiental, a tempo inteiro, na Câmara Municipal do Barreiro. Formadora na área do ambiente, qualidade e química.

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