Hoje recomendo que devamos todos sentir uma felicidade imensa. É essa a mensagem vos trago!


E essa onda de felicidade deve, porque não, estender-se a todo o território nacional. De facto devemos dar muita importância ao lado positivo das coisas, para num sorriso aberto, cativante e esbelto, podermos pensar e sentir que está tudo bem, aceitando o fatídico como algo que faz parte da natureza das coisas e portanto com ele devermos lidar da forma como ele merece, ou seja tendo a capacidade de fazer dele um mal menor.


Afinal sempre estamos vivos!


Temos, em Portugal, grandes mestres neste processo de transmissão de conhecimento e de prática. Aproveitemos todos!


Hoje, se ouvisse falar o nosso primeiro ministro, com todos aqueles habituais argumentos fortes, deveria, enquanto representante sindical, sentir que tem havido uma onda de injustiça contra o governo.


Afinal, o governo tem feito o melhor que se podia esperar.


Se a realidade se veste de problemas, temos de ter paciência e saber dar valor aos aspectos mais vitaminados.


Ainda hoje, no rescaldo das comemorações do 88º aniversário do comando distrital da Polícia de Segurança Pública de Setúbal (PSP) denotei o lançamento de boas energias.


Por isso, gostava hoje de me centrar nalgumas das realidades da Polícia em Setúbal, com um espírito diferente, a sublinhar aspectos que podemos considerar verdadeiramente notáveis, senão vejamos:


Rezam as estatísticas que temos quatrocentos e tinta mil habitantes, mais número menos número, para mil duzentos e poucos elementos policiais da PSP. Trata-se de um cenário que nos oferece o rácio possível. Podemos até considerar que é o melhor que se pode arranjar, tanto mais que os objectivos operacionais em termos policiais, são hoje mais promissores e ambiciosos que nunca. Devemos agradecer, se fossem menos polícias, as dificuldades seriam muito maiores!


Ocorrem milhares de crimes das mais variadas tipologias, desde as formas mais violentas às mais subtis. Mas o índice de criminalidade desceu, aliás, ouço frequentemente dizer que desce, por isso devemos todos ficar agradavelmente surpreendidos e confiantes para o futuro!


As esquadras de investigação criminal viram diminuir o número total de investigadores, mas os objectivos institucionais a alcançar são duplamente ambiciosos.


Há até uma teoria na gestão empresarial que diz que os recursos são sempre escassos.


Por isso há que valorizar outros aspectos mais importantes. O factor de uma possível e eventual carência pode facilmente ser ultrapassado. Portanto há que consagrar principalmente o espírito de missão e as perspectivas de sucesso. Respire-se fundo, arregacem-se as mangas e mãos à obra. Lindas estas palavras!


Se porventura faltarem viaturas, equipamentos ou faltarem condições em muitas esquadras, não faz mal. Ainda haverá certamente algumas viaturas. E se porventura deixar completamente de haver, os polícias irão a pé, se preciso for. Por outro lado, para quê melhorar as condições nas esquadras, pensarão alguns e dirão outros, se os polícias fazem é falta nas ruas? Esta é também uma boa nota!


Os polícias estão actualmente integrados num estatuto profissional que está em vigor desde 2010, mas ainda há polícias por colocar nos escalões remuneratórios à semelhança dos outros que já lá estão desde o primeiro momento.


Pense-se da melhor das formas, se estes não tivessem emprego, estavam bem pior!


Os polícias, sobretudo os operacionais, estão todos à espera de um novo estatuto profissional, expectantes por avanços nas carreiras, melhorias nos seus vencimentos, pelo menos nas classes cujos montantes inscritos nos vencimentos ficam verdadeiramente aquém, face ao risco e à exigência da profissão.


Dirão algumas pessoas mais sábias: Para vir a ter um estatuto pior, para quê querer um novo?


Não deixa de ser pertinente!


Portanto confesso-me totalmente agradecido, livre de pressão, com muito menos stress, depois de ponderar hoje assumir uma postura mais Zen. Recomenda-se a receita a todo e qualquer cidadão, pois viverá muito melhor, porque para pior já basta assim.


Para finalizar gostaria de agradecer ao aparelho governamental os resultados demonstrados e saídos das entrelinhas da sua acção política. É que bem vistas as coisas, bem poderiam estar outros responsáveis a desenvolver um trabalho diferente, para pior.

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António Loura

Presidente da Direção Distrital de Setúbal da ASPP-PSP

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