Ao longo do tempo, o clima na Terra tem sofrido alterações e em 650 mil anos ocorreram sete ciclos glaciares. O último ocorreu há sete mil anos, tendo como consequência o desenvolvimento da civilização. No entanto, a grande diferença entre as alterações no planeta há milhares de anos e a que hoje assistimos é que agora é o Homem que está a provocá-las. As últimas alterações extremas foram provocadas por causas naturais como alterações à orbita terrestre ou a quantidade de radiação que penetrava na atmosfera. Desde há 200 anos que é por ação humana que são introduzidos gases com efeito de estufa (GEE) na atmosfera, principalmente dióxido de carbono.

A temperatura, no século XX, registou uma subida de 0,76ºC. A previsão é que neste, suba entre 1,1 a 6,4ºC, dependendo das medidas mitigadoras que forem tomadas. Como consequência regista-se um aquecimento dos oceanos, que têm absorvido mais energia solar do que anteriormente. A camada superior de 100 metros do Oceano Pacífico arrefeceu, mas isso foi compensado com o aquecimento de camadas de 100 a 300 metros, quer no Pacífico quer no Índico, representando 40% da superfície do nosso planeta. Este aquecimento prejudica gravemente fauna e flora marinhas e, devido à alteração das correntes marítimas, o clima do planeta.

Os impactes decorrentes das alterações climáticas provocarão alterações na quantidade e na qualidade dos recursos hídricos, dado que o aumento da temperatura afeta diretamente o ciclo da água. Relativamente à quantidade, a carência de água tende a aumentar e a disponibilidade hídrica a diminuir.

Se num lado do planeta ocorrem secas que matam pessoas, animais e plantas, no outro lado ocorrem chuvas intensas e cheias devastadoras. Além disso, existe ainda a acidificação da água nos oceanos em 30%, que acontece desde a Revolução Industrial devido à emissão descontrolada de dióxido de carbono.

Os GEE são consequência direta da utilização de combustíveis fósseis como o carbono, o petróleo e o gás com fins de produção energética. A diminuição do seu consumo assume uma importância capital em matéria de mitigar as consequências que daí advêm. A alternativa passa pelas energias limpas.

Até 2030 Portugal terá que reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 40%, face às emitidas em 2005. A Austrália, por exemplo, assumiu o compromisso de reduzir as suas emissões de carbono em pelo menos 26% até 2030, relativamente a 2005; Os EUA anunciaram o Plano de Energia Limpa (PEL) que impõe a redução de 32% de emissões de CO2 em relação aos valores de 2005, sendo que desde esse ano até 2013, já reduziram 15%, ou seja, equivale a retirar 166 milhões de veículos ligeiros de circulação num país com 258 milhões de veículos ligeiros. Os EUA são o segundo maior produtor de CO2 do mundo, atrás apenas da China.

A redução de emissões de GEE terá que entrar na moda, eliminando gradualmente a utilização de combustíveis fósseis e substituindo-os pelas energias renováveis, fomentando a poupança e a eficiência energética, quer seja motivado por consciência ambiental e cívica ou por razões legislativas.

The following two tabs change content below.

Olga Paredes

Engenheira Química, Ambiente e Qualidade
Licenciada em Engenharia Química - Ambiente e Qualidade. Pós-graduação em Gestão de Laboratórios. Mestrado em Análises Químicas Ambientais. Profissionalmente, desempenho funções de coordenadora de departamento de laboratórios. Assumi, durante 2013, o cargo de vereadora do pelouro da sustentabilidade ambiental, a tempo inteiro, na Câmara Municipal do Barreiro. Formadora na área do ambiente, qualidade e química.

Últimos textos de Olga Paredes (ver todos)