O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos (CRS da OM), no âmbito das suas competências estatutárias, esteve reunido, no dia 14-04-2016, com a Direção Clínica e alguns Diretores de Serviço e Coordenadores de Unidades do Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM).

Este Centro Hospitalar, tal como muitos outros hospitais, vive tempos difíceis, consequência de uma política geral de saúde de cortes cegos, sem ter em conta as características e tipologia de doentes em que se inserem.

Até agora, a burocracia no Ministério da Saúde tornou a decisão sobre contratações extraordinariamente morosa quando, na maioria das vezes, as necessidades são muitíssimo urgentes.

Na reunião com membros do CRS da OM, foi claramente enunciado pela diretora clínica do CHBM que grande parte das dificuldades se deve à falta de resposta atempada da tutela no que diz respeito à contratação de médicos. Para o Diretor do Serviço de Anatomia Patológica, existem poucos especialistas nesta área, o que dificulta mais contratações.

A atual Diretora da Unidade de Oncologia referiu também que este Hospital, desde 2010, tem uma Unidade de Doença Oncológica, organizada através de consultas multidisciplinares em que estão representados todos os serviços clínicos e complementares de diagnóstico que participam no tratamento dos doentes oncológicos.

A forma como os centros de referência estão a ser atribuídos foi também alvo de preocupações, sobretudo por parte do diretor da cirurgia, havendo o perigo, segundo ele, da destruição da rede de referenciação já a funcionar na península de Setúbal. O ruído provocado na comunicação social pelos diversos protagonistas em nada contribui para o trabalho dos médicos e outros profissionais de saúde, prejudicando a confiança da população.

Na verdade, e em relação à Unidade de Oncologia em concreto, a sua atual Diretora, Dr.ª Ana Teresa Xavier, referiu que a prestação de cuidados da Unidade permite apresentar números e resultados que nada deixam a desejar em relação a resultados internacionais.

O Conselho Regional do Sul ouviu os colegas e apercebeu-se de que, apesar das dificuldades, existe empenho e esforço da parte dos médicos de várias especialidades do CHBM no sentido de manter a qualidade do serviço prestado às populações. Podemos, e devemos, discutir as decisões estratégicas que põem em causa o trabalho quotidiano de milhares de médicos no nosso país. Da nossa parte, contem sempre com esse espírito crítico mas construtivo, apontando soluções. Não contem connosco, contudo, para alimentar discussões de nomes e lugares, que já nada têm a ver com a saúde dos nossos utentes.

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Jaime Mendes

Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos

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