Na minha última crónica abordei o tema dos Antibióticos, definindo-os e descrevendo um pouco a origem do seu aparecimento.


Desta vez, e para tentar complementar o conhecimento dos leitores, gostaria de lhes escrever sobre um perigo resultante do seu uso indevido – a resistência à sua acção contra a doença.


O aparecimento e o desenvolvimento da resistência aos antibióticos é um grave problema e tem obrigado as autoridades sanitárias a efectuar não só o seu acompanhamento mas também a campanhas publicitárias alertando para o seu uso abusivo. Em Portugal essa actividade está a cargo do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge.


Se a descoberta dos antibióticos e a sua utilização em terapia anti-infecciosa constituiu um progresso inquestionável da medicina do século XX, de imediato verificou-se que a sua eficácia, nalguns casos, era rapidamente superada pela capacidade que as bactérias têm de se oporem à sua acção. Por outras palavras, as bactérias são organismos que mudam e têm uma grande capacidade de adaptação ao meio, o que significa que, perante a exposição repetida ou incorrecta aos antibióticos, algumas transformam-se em resistentes tornando a acção destes medicamentos total ou parcialmente ineficaz.


Os riscos da antibioterapia são diversos; umas vezes o antibiótico pode passar a fazer menos ou até mesmo nenhum efeito; outras, para se tentar obter sucesso é necessário administrar doses mais elevadas ou obrigar à substituição por outro antibiótico; e ainda, em casos extremos de ineficácia permitir a propagação a outras pessoas das bactérias resistentes, quer no meio hospitalar quer em comunidades mais ou menos fechadas, como em caso de escolas, prisões, quartéis, etc., podendo ainda permitir o aparecimento de doenças graves já consideradas controladas, como a tuberculose, com formas mais graves e difíceis de tratar.


O aparecimento de bactérias resistentes tem várias causas sendo a principal o uso incorrecto do antibiótico (as falhas nas tomas, as doses incorrectas e os tratamentos descontinuados).


Para evitar o aparecimento dessas resistências, aconselha-se alguns princípios:


– Tomar antibióticos apenas quando receitados por médico, respeitando as suas indicações no que diz respeito a doses, horários e duração do tratamento;


– Nunca fazer auto-medicação ou seguir o conselho de curiosos ou aproveitar sobras de tratamentos anteriores. Por muito que possa parecer, a doença em presença pode não ser a mesma do que a anterior;


– Ter sempre presente que é muito importante nunca interromper o tratamento, mesmo que se julgue ser a melhor opção!

Fotografia de capa por michaelll

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Luís Cabrita

Médico Pediatra

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