Dizem que as crises legitimam as mudanças, mas a Europa continua a protelar a efetivação das reformas necessárias.

É verdade que a economia europeia está claramente a tender para a fase ascendente de ciclo económico. Estamos na altura de dizer adeus a uma crise global e de esquecer o risco de uma Europa estagnante. Por isso, há razões para se estar otimista e confiante na atual fase ascendente, que parece pressagiar algo mais duradoiro.

A realidade de uma reestruturação económica em várias frentes é uma realidade europeia, que assenta na esperança e na crença de que não se pode continuar a ignorar a coesão desta EU dos povos que a constituem.

Os mais jovens estão gradualmente a reconhecer a importância das modernas tecnologias e estão procurando novos caminhos de crescimento e prosperidade.

As empresas também estão em causa procurando fusões, não apenas para ganhar vantagem no espaço europeu, mas, também, para confrontar a competição nos mercados mundiais. É caso para dizer: o velho continente está ao rubro, procurando as mudanças que se impõem e que vão tardando.

Ninguém faz prognósticos sobre a profundidade a que as mudanças chegarão, nem qual a rapidez a que levarão a Europa a chegar primeiro á linha da meta. A Europa não se pode atrasar relativamente aos Estados Unidos, nesta altura de viragem da economia mundial.

É bem certo, que é preciso muito tempo para mudar a cultura económica e as organizações existentes de uma mera administração para uma gestão proveitosa, até porque os próprios governos europeus são pouco cooperativos, sobretudo a Alemanha, que sempre se esquiva a dar passos positivos para mudar, para não falar dos países da Europa do Norte.

Mas será que finalmente as reformas na EU vão acontecer. A Europa tem de dar um passo de gigante na nova onda económica. O Euro não foi um passo politicamente desperdiçado. O que se deve seguir para que a Europa seja mais dinâmica vai ser bem difícil, porque ter-se-á de abanar o “statu quo”.

Normalmente, a crise legítima medidas duras. Mas a Europa não está totalmente em crise. O ritmo do progresso é que é lento, porque as instituições da EU são demasiado burocratizadas e caras para o trabalho que normalmente tem de executar.

A revisão das funções dos vários órgãos da EU deve ser estudada em profundidade. Sem uma profunda reforma das instituições, a causa do desenvolvimento continuará a sofrer e não avança.

Nada melhor poderia acontecer à Europa do que uma grande discussão sobre o seu futuro, para desencadear o tipo de choque que propície mudanças mais ambiciosas para o futuro, tendo em conta o Mundo bipolarizado em que nos movemos.

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António Alves

Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal
Foi Membro da Direção do Clube Naval Setubalense, da Direcção da ANEE-Ass Nacional das Empresas Operadoras Portuárias, da Direcção Nacional dos Agentes de Navegação do Centro de Portugal. Foi também Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal, do Conselho Geral do Hospital do Barreiro, da Direcção do Club Setubalense, da Assembleia Geral do Club Setubalense e da Academia de Música e Belas Artes Luisa Todi. Para além disso, foi Vice Presidente da Liga dos Amigos do Fórum Luisa Todi e Presidente da Assembleia Geral do Vitória Futebol Clube-SAD, bem como Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal. Atualmente é reformado.

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