A reabilitação urbana tem estado na ordem do dia e saído frequentemente do âmbito da sua gênese, enquanto ramo de intervenção para a conservação do património construído, para aparecer no fórum de discussão politica como resposta à degradação das nossas cidades, edifícios e espaços exteriores e ainda como potencial dinamizador económico.

Há muito que a AECOPS insiste na sua necessidade e prioridade, não só enquanto oportunidade de trabalho para as empresas deste setor, mas sim para uma evidente necessidade de transformar os nossos centros urbanos em polos de desenvolvimento integrado que acompanhem o progresso, ajustando-os à nova realidade de desenvolvimento económico e social, criando condições favoráveis para o aparecimento de investimento privado no imobiliário e nas nossas cidades, sem o qual não será possível pensar qualquer projeto nesta área.

Sendo inegável a existência da degradação do edificado em Portugal e de vários problemas de organização dos nossos centros urbanos é importante que de uma vez por todas, sejam criados projetos estruturantes de valorização do nosso território que incidam principalmente na regeneração e reabilitação urbana, com medidas eficazes na gestão territorial e revalorização do parque edificado, onde fatores de ordem energética, alterações sociais e climáticas deverão ser repensados como forma de desenvolvimento económico e consigam atrair o interesse de potenciais investidores.

Foram criadas expectativas em relação ao programa “Portugal 2020” na forma de alavancagem do investimento nesta área, mas infelizmente, num país que se encontra no fundo da tabela dos estados membros com défice de investimento, verificamos que em Portugal e no sentido contrário à política da maioria dos estados membros, os fundos estruturais não foram orientados para a promoção da valorização do território, uso eficiente dos recurso e a eficiência da mobilidade urbana, indispensáveis para qualquer plano estratégico de desenvolvimento económico assente na reabilitação e regeneração urbana.

Das nossas empresas, temos a certeza que poderemos contar com a já histórica capacidade de adaptação às necessidades do mercado, adquirindo competências e especialização técnica ao longo destes anos de profunda crise, onde foi necessário repensar e restruturar as empresas para se manter neste difícil mercado cada vez mais direcionado para a reabilitação e regeneração urbana.
Fotografia de capa por EPP Group in the European Parliament (Official)

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Alfredo Lopes

Diretor Executivo Regional AECOPS

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