Dia de sol radiante na bonita cidade sadina, que acolheu o orgulho das famílias dos jovens licenciados. O futuro que perspetivam carrega contudo o sabor azedo da partida forçada, por ter como alternativa a desesperança, a exploração, o desemprego.

“Os cofres estão cheios…” a “…Troika já não está em Portugal…” afirmações da ministra das finanças e do executivo do governo. A questão seguinte será, naturalmente, a ser verdade, que repercussões têm esses factos na vida dos portugueses?

Já lá vai o tempo, em que faltou a liberdade para questionar o que faziam as reluzentes barras de ouro nos cofres do Estado, novo, como lhe chamaram, enquanto ao povo faltava, alimento, saúde, educação. Talvez a ministra aprecie a comparação e por isso renove a incoerência:

Foram abençoadas fitas várias, e também a recém licenciados enfermeiros, com a qualidade que o mundo reconhece e que Portugal despreza, insistindo em perpetuar e até agravar, injustiças que se acentuam há 15 anos nesta classe profissional. A crise parece ter-se antecipado para estes profissionais.

À discriminação salarial a que está sujeita no contexto das carreiras da administração publica (os enfermeiros têm o mais baixo vencimento de ingresso das carreiras especiais!), o atual governo acrescentou, a esta profissão de comprovado risco e penosidade, cortes salariais insuportáveis (mais onerosos precisamente para quem está sujeito a maior degradação da sua saúde, por fazer turnos) e retirou condições para cuidar com qualidade.

O ataque é de tal forma agressivo, que se torna quase impossível não sucumbir ao cansaço, às lesões, à doença e, invariavelmente, sobrevêm erros decorrentes da ausência de condições para cuidar de forma segura.

Exauridos de condições que os motivem, constatando mais uma vez a ausência de diálogo, exigem de Paulo Macedo a melhoria das condições de trabalho. Pedem para ser melhor cuidados, recusam continuar a ser explorados. Questionam para que servem os cofres cheios, senão para devolver o que está a ser roubado, para repor o que foi destruído…., lutam pela dignidade da profissão, pelo direito a terem saúde, a viver para e com a sua família, para cuidar de quem precisa com dignidade que o acto de cuidar merece.

Fotografia de Jason Bache

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Zoraima Prado

Dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses
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