O atual encadeamento económico, social e político que atinge os países da União Europeia, com a crise dos refugiados, leva-nos a refletir sobre o que se passa no Mundo em termos geoestratégicos e as suas consequências politicas e sociais.

A chegada à Europa de milhares de migrantes e refugiados leva-nos a concluir que essas pessoas não o fazem apenas e tão só por motivos económicos e sociais. São problemas mais profundos e dramáticos de uma guerra que se está a desenrolar numa vasta área do globo, com consequências dramáticas para as populações e para a segurança das famílias e dos seus bens.

Não será de mais relembrar aqui o número de mortos que ficam no cemitério aquático em que se transformou o mar mediterrâneo.

Palco de muitas migrações e de divulgação de culturas ao longo dos séculos, o mediterrâneo é, neste momento, o espaço físico que separa o inferno do céu, o drama e o sofrimento da esperança e da vida.

O número de vidas que se perderam e continuarão a perder se nada de concreto for feito com seriedade e respeito pelos direitos humanos são um ato de cobardia e abandono por parte da União Europeia. Se mais nada acontecesse para além destas mortes, este acontecimento era mais que suficiente para se tomarem medidas mobilizadoras e ajudar quem precisa.

Basta de continuar a despejar toneladas de bombas mortíferas e destruidoras sobre as populações indefesas, com o argumento que se está a combater o terrorismo.

Já alguém pensou que em vez de bombas que tiram a vida a milhares de pessoas inocentes se transformasse esse peso em bens alimentares e medicamentos e os lançassem sobre as cidades devastadas?

Ou pensaram e não querem ver que era a melhor resposta.

Já alguém pensou que não se elimina o mal com outro mal ainda maior. O mal termina quando se faz o bem.

Não basta aceitar que correntes migratórias passem pelo território com destino a outros países, é nas fronteiras que o acolhimento tem que ser feito e é aí que se têm de criar condições de segurança física, material e moral para que esses Seres humanos não se transformem em farrapos humanos e mendigos abandonados ao seu destino incerto e penoso, com os dramas que diariamente nos chegam através das imagens de televisão.

Portugal irá acolher muitas dessas pessoas, dessas famílias destroçadas física e mentalmente. Portugal tem e os portugueses têm o dever moral de os receber com a dignidade que devem usufruir e merecem e que nós, anfitriões, temos o dever moral de completar.

Não é com as ideias estapafúrdias de António Costa, como aquela de os enviar para as matas para trabalharem na sua limpeza e conservação que vamos acolher os refugiados. Este Costa precisava de ir para a costa do mediterrâneo e de lá ver as matas de Portugal limpas pelos migrantes e refugiados que chegam à Europa. Este Costa ainda não aprendeu a ser solidário. Aprendeu a ser politicamente burro e cego.

Mas, também, não vimos os Bancos e outras entidades financeiras a colocarem à disposição os milhares de casas devolutas que são sua propriedade.
Ainda não vi nem ouvi da boca dos responsáveis da UDIPSS de Setúbal a mobilização das IPSS’s do Distrito para integrarem a plataforma de acolhimento.

A Associação de Municípios do Distrito, as associações empresariais e sindicais, onde está a solidariedade internacionalista?

Muito tem que ser feito, o Estado tem esse dever, mas a chamada sociedade civil também. E se fossemos nós? Já alguém pensou?

Por isso vamos mobilizarmo-nos. Acordai!

The following two tabs change content below.

Florindo Paliotes

Ex-Presidente da Direção da UDIPSS Setúbal

Últimos textos de Florindo Paliotes (ver todos)