Politicamente, Portugal está a viver um tempo riquíssimo, do ponto de vista do pensamento e da criação pontualmente interessante, mobilizador e cheio de atrativos, mas também muito arrojado, porque se adensam os riscos de declinação da democracia e do nosso ordenamento jurídico/constitucional, leia-se da Constituição da Republica nascida do 25 de Abril de 1974.

Como espelho desta afirmação temos uma séria crise da democracia que se tem vindo a intensificar com assustadora celeridade. Não é necessário ser perspicaz para compreender que a perda da soberania nacional conflui na supressão da democracia efetiva no interior de cada país europeu, dentro e fora da União Europeia.

E sobre isto, apraz-nos dizer existirem pessoas que não compreendem os seus interesses mas arroga-se-lhe o direito de falar sobre o que lhes importa, como há pessoas saberem e compreenderem o que lhes interessa mas incapazes de exprimir o seu próprio benefício, de forma inteligível para perceberem os interesses egoístas próprios.

Conhecemos a ditadura do sistema financeiro na Europa e no Mundo e é evidente que a totalidade dos humanos sabem e conhecem as suas consequências sociais e politicas, todos as conhecem, não falam delas abertamente porque desenvolvem em si um minorar do seu efeito e das suas consequências no sistema totalitário.

Não estamos nem temos lugar para cépticos. Como não há para os nostálgicos, prudentes ou derrotistas. Não há cabimento para os encolerizados, pois estes só se podem zangar com a indignação deles próprios e do momento.

As almas pardas passaram de moda, são uma espécie em vias de extinção que só convém usar no lar doméstico para que ninguém veja cá ou lá fora. Convém usar as certezas do trabalho e da coerência, da honestidade mental e intelectual para não descambar no utópico e idílico com linhas rematadas à pressa mal estruturadas e mal confecionadas. Os sarcásticos e irónicos também não poderão embarcar neste imenso navio, que se chama Portugal Democrático.

Depreciar, balizar ou conter a intervenção de eleitores individualmente ou encostados em forças alternativas ou questionar a sua legitimidade para se afirmar e assumir como força necessária à solução dos problemas nacionais ficará para sempre no cais de embarque.

Aqui chegados concluímos que não existem condições objetivas ou subjetivas que permita a aprovação do programa de um Governo da Coligação Portugal à Frente (PSD/CDS) e a sua entrada em funções apenas pode ser vista do ponto meramente institucional, como o é a existência de uma maioria de deputados que podem constituir condição suficiente para a formação de um governo que se diz ser de iniciativa do PS e que poderá permitir a apresentação de um desígnio governativo para a adoção de uma política, que se prefere duradoura e coerente.

A solução é durável?

E a situação é a previsível impossibilidade parlamentar da Coligação Portugal à Frente governar e a possibilidade do Partido Socialista formar governo e governar.

Ambas são antíteses políticas simétricas que poderão anular-se ou conviver em equilíbrio permanente, sólido e estável.

Se este equilíbrio é ou não capaz de gerar melhorias substanciais na situação social do povo – empresários, trabalhadores, pensionistas, idosos e crianças – estamos cá para ver e sentir.

Vamos ver e sentir seja para o bem ou para o mal e aí todos estão dentro do mesmo barco, de seu nome Portugal Democrático, e todos os Portugueses sentirão os seus efeitos como aconteceu em 2011.

Esperemos pelo ano de 2019.

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Florindo Paliotes

Ex-Presidente da Direção da UDIPSS Setúbal

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