Ao chegar a um S.U já todos achamos “normal” encontrar corredores atolados de gente em macas, corpos com vida e em sofrimento “amontoados”, sem privacidade nem conforto. Não é admissível, necessário nem tão pouco normal!


O sub dimensionamento destes serviços e a incapacidade de resolução desta questão, levou-nos a uma sobre lotação cronica, inqualificável por desnecessária que é. Por outro lado o Ministro Paulo Macedo, tarda em assumir responsabilidade, no que se refere aos resultados demolidores que os cortes cegos que ditou no SNS, têm na saúde das populações.


A região de Setúbal infelizmente não escapa à calamidade, pelo contrário tem sido várias vezes apontada pelos piores motivos, sofre deste mal comum de “gestão dolosa” do SNS estimulada pelo Ministro da Saúde, entusiasta da opção. Se não vejamos: no passado dia 6 de Janeiro o S.U do HGO, tendo excedido a capacidade de internamento em mais de 100% entrou em ruptura, obrigando outros serviços, igualmente lotados a receber doentes para corredor, multiplicando assim “o mal pelas aldeias”! O CHS, foi na semana passada notícia pelo falecimento de um doente no S.U alegadamente por incapacidade de resposta perante a sobrelotação. O CHBM, depois de se afirmar caluniado quanto à incapacidade de gerir a afluência ao S.U, viu-se obrigado a abrir um serviço de retaguarda.


É inqualificável que não haja uma responsabilização inequívoca do M.S pelo actual estado do SNS, que mais não é do que o fruto das politicas que impuseram: o encerramento de camas e serviços nos hospitais e de Unidades nos Centros de Saúde, forçaram a diminuição do horário de atendimento para casos de doença aguda nos Cuidados de Saúde Primários e diminuíram vertiginosamente o número de profissionais nas equipas de saúde.


É urgente reforçar os CSP. É urgente dotar as instituições de uma capacidade de internamento adequada às necessidades das populações e não ajustada às necessidades dos privados lucrarem com a “incapacidade” do SNS. É urgente que a resposta em termos de rede de cuidados pós alta seja ampliada, é absolutamente urgente dotar as instituições do número adequado de profissionais, é urgente estancar esta sangria bárbara a que sujeitam o SNS. É urgente saber para onde irão afinal os milhões anunciados para reforçar a saúde!


Fotografia de capa por Frenkieb

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Zoraima Prado

Dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses
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