Depois de uma pequena pausa nas minhas crónicas, volto a escrever-vos para falar um pouco sobre para o que serve afinal uma associação juvenil. Nos últimos meses fui confrontada, enquanto vice-presidentes da minha associação com: “o que anda a AJITAR a fazer?” Parece que existe uma grande confusão sobre o que deve ser uma associação juvenil, o que deve fazer, o que deve representar. Queria por isso vir explicar para o que serve uma associação, juvenil ou não.


Em primeiro lugar deve-se ir ao dicionário, para compreender o significado da palavra “associação”. Associação é um “grupo de indivíduos que se unem para uma finalidade específica e se mantêm coesos graças a procedimentos, rotinas”, é uma entidade que “congrega pessoas que têm interesses comuns”[1].


Quando analisados os termos jurídicos, presentes no Código Civil, pode-se concluir que uma associação é uma pessoa coletiva, sem fins lucrativos. As associações devem, de acordo com o Código Civil, replicar a participação democrática. Uma leitura nos livros de Ciência Política permite enquadrar as associações enquanto grupos de interesse. Isso significa que um dos principais papéis das associações (juvenis ou não) é defender direitos ou interesses que estejam já consagrados pela lei.



Então, qualquer associação pretende, através da replicação dos procedimentos democráticos, integrando-se na vida cívica do seu país, defender um interesse ou direito que está consagrado no regime jurídicos. Por isso existem associações de defesa do consumidores (DECO) ou associações que pretendem defender os direitos de pessoas com determinadas doenças (APC – Associação Portuguesa de Celíacos).


Ora isso leva-nos àquilo que uma associação não é. Uma associação juvenil não é uma empresa de organização de eventos e festas. Uma associação deve realizar ações, de acordo com os seus interesses e objetivos e com as suas capacidades. No entanto, essas ações, ou os seus resultados, podem não ter grande visibilidade, mas a verdade é que, passo a passo, estamos a contribuir para criar um lugar melhor para os jovens viverem. Só falta é que eles queiram fazer parte desse processo.


[1]Associação. (2002). Em I. A. Lexicografia, Dicionário Houaiss de lígua portuguesa (pp. 419-420). Lisboa: Círculo de Leitores.


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Inês Garcia

Vice-presidente da Associação Juvenil Ideias que Transformam a Realidade (AJITAR)
Sou uma jovem estudante, vice-presidente da Associação Juvenil Ideias que Transformam a Realidade (AJITAR) de Palmela. Como tal tenho estado em permanente contacto com várias associações e movimentos informais, do município de Palmela e não só, tendo também a oportunidade de me relacionar com políticos e técnicos municipais. Essa relação tem permitido, não só desenvolver uma perspetiva mais completa sobre a realidade municipal, juvenil e associativa, mas também crescer enquanto pessoa, enquanto indivíduo, enquanto observadora do mundo e da sociedade que me rodeiam.

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