O ozono é uma molécula constituída por 3 oxigénios na forma de O3 e encontra-se no ambiente numa região atmosfera designada por estratosfera. Forma-se devido à ação da radiação UV do sol sobre as moléculas de oxigénio (O2) gasoso de forma a gerar o ozono. O ozono tem efeito benéfico de proteção das camadas inferiores da atmosfera, nomeadamente a troposfera, diminuindo o efeito da radiação solar sobre os organismos terrestres. Para além disso, esta reação pode ser realizada de forma controlada de modo a poder utilizar o ozono de forma benéfica no ambiente e na saúde.

O ozono pode ser gerado e usado no ambiente no tratamento de águas de abastecimento ou águas residuais. É um oxidante forte e pode participar em inúmeras reações que permitem alterar o estado de oxidação de espécies e assim remove-las da água. Pode atuar sobre substâncias orgânicas oxidando-as a moléculas mais biodegradáveis e mais facilmente destruídas quimicamente após a água, contendo essas substâncias, estar em contacto com o ozono. Pode atuar sobre substâncias inorgânicas alterando o seu estado de oxidação e favorecer reações de precipitação (formação de um estado sólido). Neste mesmo âmbito, pode ser usada para remover cor de águas residuais, eliminar cheiros e matéria orgânica, redução de carência química de oxigénio não biodegradável, eliminação de poluentes não biodegradáveis, eliminação de baterias filamentosas e redução de lamas em excesso. Pode ainda ser usado como substância com propriedades desinfetantes, destruídos diversos grupos de microrganismos como bactérias, fungos, protozoários e incluídas bactérias patogénicas e parasitas. O único inconveniente do uso do ozono é que não garante, por exemplo, na linha de distribuição da água que não haja desenvolvimento de microrganismos. Para este efeito, o cloro ou hipoclorito ainda continua a ser o desinfetante de eleição.

O ozono pode também ser usado no processamento de alimentos como técnica de desinfeção de produtos ou auxiliar no processo de tratamento de água de produtos de aquacultura, na estabilização antibacteriana em óleos de girassol, para eliminar resíduos de pesticidas nos grãos de arroz, para remoção de odores, produzir efeitos no metabolismo. Também pode ser usado em certos produtos específicos (carne, leite, vinho, etc) com determinados objetivos específicos.

Na saúde, a aplicação do ozono tal como noutras situações ambientais e agrícolas, varia consoante a necessidade de tratamento. Existem aplicações para aparelho locomotor, cardiovascular e digestivo. Pode tirar-se proveito do ozono no tratamento de patologias de origem inflamatória, infeciosa e isquémica e alterações do stress oxidativo. No aparelho locomotor destacam-se exemplos como a artrose (da anca, do joelho, da coluna vertebral, etc.), a artrite reumatoide e outras doenças autoimunes, tendinites. No aparelho cardiovascular destacam-se as varizes e úlceras varicosas, pé diabético, entre outras. No aparelho digestivo destacam-se as hepatites (B e C) e a colite ulcerosa. Muitas outras aplicações podem ser encontradas para o zono na medicina estética e dermatologia, neurologia, ginecologia, oftalmologia, etc.

O ozono para além dos efeitos benéficos descritos também pode apresentar inconvenientes quando este é detetado nas camadas mais baixas da atmosfera como a troposfera. O ozono está presente de forma natural na troposfera. Existem uma parte que é proveniente das camadas mais elevadas da atmosfera, (estratosfera) e a outra parte, é proveniente dos processos naturais que têm lugar na biosfera e que dão lugar à formação de ozono, como as emissões de óxido de azoto, fruto dos processos biológicos na emissão de compostos orgânicos voláteis, originários da vegetação e de outros gases. Através da ação do sol, estas substâncias químicas libertadas na atmosfera, reagem e provocam igualmente a formação de ozono, sobretudo nas grandes cidades, onde a poluição atmosférica é mais significativa.

É na Primavera e no Verão, em que a ação da radiação solar é mais intensa e consequentemente as temperaturas mais elevadas junto ao solo, que as concentrações de ozono aumentam. Neste período deve ter-se mais atenção e evitar a elevada exposição solar, não só pela intensa radiação UV mas também pelos elevados níveis de O3 troposférico. O ozono devido às suas propriedades altamente oxidantes, penetra nas vias respiratórias, provocando irritação das mucosas e do tecido pulmonar. Os principais sintomas são a irritação dos olhos, da garganta, dores no peito e na cabeça, podendo inclusivamente, se as concentrações forem muito elevadas, provocar inflamações pulmonares graves e afetar gravemente a função respiratória.

Fotografia de NASA Goddard Photo and Video

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Ricardo Salgado

Coordenador do curso de Engenharia do Ambiente
Docente e coordenador do curso de Licenciatura em Engenharia do Ambiente da ESTSetúbal; Investigador na área do Ambiente, em particular no tratamento de águas residuais.

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