A palavra virose é hoje repetidamente usada. Toda e qualquer situação de doença aguda, acompanhada por aumento da temperatura corporal, tosse, aumento de secreções nasais, e/ou diarreia, é vulgar ouvir-se dizer que se trata de uma infecção viral, que algumas vezes é confirmada, posteriormente, em consulta médica.

Na verdade, em populações de países mais ou menos desenvolvidos, tem-se assistido a uma maior incidência de doenças provocadas por vírus, em detrimento das infecções bacterianas até então prevalentes. Uma das razões que justifica tal situação é a melhoria das condições socioeconómicas das sociedades, mas também à correcção das políticas de saneamento básico com o aumento das redes de água potável e de esgotos canalizados e tratados, para além da educação das populações em termos de normas e condutas de higiene, tudo associado à implementação de planos nacionais de vacinação

Mas afinal o que são vírus?

São seres muito simples e pequenos só observáveis através de microscopia electrónica. Sabe-se que os vírus são organismos acelulares e por essa razão alguns cientistas não os classificam como seres vivos, embora outros contraponham que, pelo facto de se poderem reproduzir, devem ser considerados como vivos.

Os vírus são parasitas obrigatórios, isto é, precisam de uma célula hospedeira para se reproduzirem e, ao usarem toda a estrutura da célula parasitada, têm uma grande capacidade para a destruição da mesma.

Outra característica muito importante dos vírus, é a grande facilidade da sua difusão sobretudo em ambientes fechados. Todos temos o conhecimento da propagação das doenças virais em infantários, escolas e em transportes públicos sobrelotados. A transmissão, em muitas doenças, nomeadamente as do tracto respiratório, faz-se por via aérea, através de pequenas partículas de secreções orais dos indivíduos doentes, projectadas pela tosse ou pelos espirros. Noutros casos os vírus são veiculados pelas mãos mal lavadas ou por material médico infectado, por exemplo, agulhas.

O desenvolvimento dos ciclos virais é em regra de curta duração e a sucessão do aparecimento de diferentes vírus é muito rápida, o que leva as mães a afirmarem que os filhos parecem estar sempre doentes, embora com sintomas por vezes muito distintos uns dos outros.

Como indicações terapêuticas para os vírus mais comuns indica-se o tratamento sintomático. Se a doença decorrer com febre aconselham-se antipiréticos, se ocorrer diarreia aumenta-se a ingestão de líquidos. Somente em casos muito excepcionais há indicação para a utilização de medicamentos antivirais.

Nestas doenças o uso de antibióticos não está indicado. Para além de não terem qualquer acção sobre os vírus, podem inclusivamente predispor o aparecimento de infecções sobre- bacterianas.

Fotografia de NIAID

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Luís Cabrita

Médico Pediatra

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