Esta é uma questão sobre a qual a comunidade científica muito se tem debruçado. Contudo, existem várias abordagens e os estudos apresentam resultados algo contraditórios. No entanto, uma coisa é certa, se a mente não está bem isso acaba por refletir-se através do nosso corpo, da mesma forma que ao não estarmos bem fisicamente, inevitavelmente, isso irá refletir-se em termos psicológicos e emocionais.

É importante que estejamos atentos aos sinais que o corpo vai emitindo. Isso pode acontecer, sobretudo, quando uma pessoa se recusa a “ouvir” o que a mente lhe transmite. Quando alguém não está bem psicologicamente, e falo exclusivamente da minha experiência profissional enquanto clínica, isso reflete-se de várias maneiras. No entanto, nem todas as pessoas reconhecem que eventuais comportamentos ou atitudes poderão estar, eventualmente, relacionados, por exemplo, com um desgaste emocional ou sofrimento psicológico. Para além desse “mau-estar” poder ocorrer mascarado em forma de comportamento desajustado (irritabilidade, baixa tolerância à frustração, agressividade, etc.), em algumas situações é também o próprio corpo que pode emitir sinais, uma espécie de sinais de alerta, como costumo chamar.

Em primeiro lugar é importante identificar que tipo de sinais são esses e como é que eles se manifestam, quer seja através do comportamento, quer seja através do nosso corpo. Em segundo lugar é fundamental que cada pessoa “escute” então o que essas manifestações lhe estão a dizer.

Não (querer) ouvir o que o nosso corpo diz, poderá ter implicações graves não somente em termos físicos como a nível da saúde mental.

Por fim, e em terceiro lugar, é importante ter coragem suficiente para aceitar a mensagem que estamos a “ouvir”. Falo de coragem porque a dita mensagem pode implicar mudança e é disso, afinal de contas, que a pessoa pode andar a fugir.

Reforço que muitas são as vezes que só percebemos a importância da mudança quando de facto a experimentamos.
Pare e oiça o que o seu corpo e a sua mente lhe estão a dizer. Poderão estar, simplesmente, a pedir que abrande ou então a sugerir que mude … e que pense mais em si.

The following two tabs change content below.

Ana Cardoso

Psicopedagoga na clínica da família (Setúbal); investigadora no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (FCM-UNL).
Desde 1999 que trabalha na área da saúde mental. Exerceu funções clínicas no Hospital Miguel Bombarda até 2007. Desde essa altura que tem colaborado com o departamento de saúde mental da Faculdade de Ciências Médicas, participando em vários projectos de investigação científica (avaliação de necessidades, intervenções familiares, doenças neuropsiquiátricas, adesão ao tratamento). Mestrado em Saúde Mental pela FCM. Várias publicações científicas realizadas na área da saúde mental.

Últimos textos de Ana Cardoso (ver todos)