Estamos a terminar uma legislatura que fica pautada por grandes prejuízos em termos educacionais e em termos escolares nas nossas escolas. Perderam-se professores nas escolas, não só pela falta de alunos, mas porque as turmas aumentaram. Enfiaram-se 28 alunos no mínimo numa turma em salas que não os comportam. As politicas implementadas conduziram a uma taxa de natalidade mínima. Em 2019 teremos menos 70 mil alunos no sistema educativo do que em 2010.

Tudo isto fruto de políticas confrangedoras que deixaram a educação em muito maus lençóis. As escolas ficaram sem créditos horários. Os exames transformaram o primeiro ciclo num manancial de matemática e de português. As outras áreas ficaram claramente preteridas em função daquilo que foram as prioridades traçadas para o sistema educativo.

Ao Estado deveria caber regular o sistema, mas fê-lo de uma forma desregrada não criando nas escolas capacidade para se otimizarem procedimentos e estratégias que conduzam ao sucesso escolar. As escolas deveriam no âmbito da sua autonomia efetiva implementar os mecanismos necessários para o sucesso educativo dos seus alunos. Como queremos mais sucesso se as famílias estão caóticas em face do desemprego reinante. E depois ainda se tem a distinta lata de perguntar se não estamos melhor? É óbvio que não estamos melhor. Não há investimento na educação. As novas escolas que existem acabam por não conseguir ser equipadas com os materiais necessários ao desenvolvimento dos alunos. Proliferam as explicações para quem quer ter uma nota que permita aos jovens ingressar num determinado curso. Não há igualdade de oportunidades.

Fazem-se alterações que não têm ligação entre elas. Agora implementa-se o Inglês no 3º ano de escolaridade do 1º ciclo. Com docentes de um grupo específico onde existir. Mas estamos em julho e ainda não se sabe de nada. Ou seja como se vai agilizar este mecanismo para os alunos do 3ª ano terem 2 horas e Inglês por semana. O mesmo em relação às AEC, que também foram destruídas pelo atual governo. E as turmas que têm dois anos de escolaridade na mesma turma/sala não se pensou nisso? Então quando os alunos estão com a docente de inglês quem está com os outros. E a ideia peregrina de podermos ter um máximo de 33 horas e meia de atividades letivas ao nível do 1º ciclo de acordo com o decreto-lei 176/2014 de 12 de dezembro? Será que as crianças não brincam?

Por isso fico claramente contrafeito quando estes nossos governantes vêm à televisão referir que agora estamos muito melhor. Que superámos as dificuldades e agora é que é. Sinceramente não sinto nada disso. E não sinto nada disso porque percebo que á minha volta ninguém sente isso. Da mesma maneira que me revolta ter um virgíneo senhor que todos os domingos tem uma boa meia hora de tempo de antena para dizer uns cretinismos cirúrgicos sobre todos os assuntos e muitas vezes sobre educação… e que está deliberadamente a fazer campanha eleitoral pelo partido que representa e por si próprio enquanto putativo candidato à Presidência da Republica…realmente era só o que nos faltava depois do Cavaco ter um Marcelo…

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José Carlos Sousa

Professor
Formação inicial magistério primário de Lisboa, Licenciatura em educação física - Escola Superior de Educação Almeida Garrett; Doutorado em Ciências da educação ramo de administração e gestão educativa pela Universidade de Évora e, Politicas de descentralização e desconcentração: o papel das equipas de apoio às escolas na implementação das medidas de politica educativa entre 2005 e 2011. Vereador na Câmara Municipal de Palmela entre 2005 e 2013. Coordenador educativo da península de Setúbal sul 2005 e 2006. Coordenador da equipa de apoio às escolas da península de Setúbal sul (concelhos de Setúbal; Sesimbra, Montijo; Alcochete e Palmela) de 2006 a 2011. Formador da Direção geral de educação na área da proteção à infância e Juventude.

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