A motivação com que os profissionais hoje em dia trabalham, está, na maioria dos casos, afectada. No caso dos profissionais de saúde, aliada a essa eventual falta de motivação, encontra-se uma falha bem patente em termos de falta de reconhecimento pelos serviços que prestam. Para que o profissional se sinta motivado, é crucial que sinta que o seu trabalho é reconhecido e valorizado de forma a que o descontentamento que possa sentir não se reflicta na qualidade dos cuidados de saúde que exerce.

   

Para além da motivação, outro factor importante de analisar, prende-se com o optimismo terapêutico, considerado como uma característica importante na obtenção de resultados associados ao tratamento.

   

O optimismo terapêutico que falamos está associado às expectativas dos profissionais de saúde em relação ao tratamento e prognóstico dos doentes que assistem. Este optimismo facilita o processamento de informação negativa e promove o desenvolvimento de estratégias e competências para resolver problemas.

   

A investigação sobre este tema, na área da saúde mental, tem demonstrado que uma visão optimista está associada a resultados positivos para a saúde, sendo que níveis mais elevados de optimismo registados nos profissionais de saúde, podem mesmo vir a ter benefícios para a saúde dos doentes, correspondendo a um factor preditivo no prognóstico e na adesão ao tratamento nas perturbações mentais.

   

Embora as intervenções que visam o aprimoramento do optimismo tivessem indicado benefícios claros para o doente e para os próprios clínicos, existe pouca literatura disponível que explique o efeito que o optimismo terapêutico exerce na prática clínica, inclusive na área da saúde mental.

   

No entanto, uma coisa é certa: qualquer clínico que se encontre desmotivado e esteja pessimista em relação ao tratamento que ele próprio prescreve, muito provavelmente o resultado do seu trabalho estará comprometido.

   

É ainda de reforçar que certas atitudes do prescritor, como a linguagem, o tempo dispensado na consulta, o acolhimento que é feito, o respeito pelas crenças e perguntas dos doentes e a motivação do próprio clínico, são também factores citados na literatura considerados preponderantes no tratamento.

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Ana Cardoso

Psicopedagoga na clínica da família (Setúbal); investigadora no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (FCM-UNL).
Desde 1999 que trabalha na área da saúde mental. Exerceu funções clínicas no Hospital Miguel Bombarda até 2007. Desde essa altura que tem colaborado com o departamento de saúde mental da Faculdade de Ciências Médicas, participando em vários projectos de investigação científica (avaliação de necessidades, intervenções familiares, doenças neuropsiquiátricas, adesão ao tratamento). Mestrado em Saúde Mental pela FCM. Várias publicações científicas realizadas na área da saúde mental.

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