No dia 5 de Dezembro comemora-se o dia mais um dia internacional do voluntariado. Não posso deixar passar este dia sem um comentário sobre o voluntariado. Mas primeiro um esclarecimento.
   
Embora muito se fale do voluntariado existem ainda dificuldades em perceber o que é afinal o voluntariado ou quem pode ser considerado voluntário.
   
Na tentativa de uniformizar um entendimento mais vasto em vários países a Organização Internacional do Trabalho (OIT) identificou o voluntariado realçando alguns aspetos tais como:
   
– O voluntariado deve ser essencialmente o trabalho produtivo que participa na produção de bens ou serviços que tem mercado e nas contas nacionais;
   
– Para ser considerado como voluntário o trabalho deve ser prestado durante um período definido (por exemplo 1 hora por semana).
   
– O trabalho não é pago, no entanto aceita-se alguma compensação por gastos de deslocação, alimentação ou pequenas prendas. Importa referir aqui que o trabalho voluntário permite aos voluntários desenvolver competências e adquirir conhecimentos que poderão ser importantes no futuro.
   
– Os programas corporativos das empresas que dispensam os seus trabalhadores durante o horário de trabalho violam o princípio do não pagamento, portanto foi recomendado não considerar esse tipo de trabalho como voluntário. Estes programas são considerados dentro da responsabilidade social das empresas.
   
– O trabalho voluntário não pode ser uma obrigação. Importa que o voluntário tenha possibilidade de escolha.
   
– Considera-se o trabalho que é prestado em termos formais (nas instituições e organizações sociais e outros e o trabalho prestado diretamente às famílias e a pessoas individuais (voluntariado informal).
   
– Não é considerado como voluntário o trabalho que é prestado diretamente à própria família que viva na mesma casa, ou seja, os avós que tomam conta dos netos não são voluntários se viverem na mesma casa mas os avós que vivem separadamente e tomam conta dos netos fazem trabalho voluntário.
   
Estima-se que o voluntariado valha cerca de 2 a 3% do PIB dos países desenvolvidos. Estamos a falar de um valor enorme que ronda os 300 mil milhões de euros. Só como comparação, toda a dívida de Portugal ronda os 215 mil milhões.
   
Este enorme valor, gerado por um trabalho não pago, levanta necessariamente questões sobre a motivação das pessoas que dedicam uma parte do seu descanso a trabalhar.
   
Alguns investigadores (Stebbins) consideram o voluntariado um tipo de “lazer sério”. Neste aspeto analisa-se o voluntariado como uma atividade que proporciona uma satisfação que pode ser recompensadora, o que o torna atrativo para muitas pessoas.
   
O voluntariado também proporciona exposição social, criando a oportunidade de as pessoas terem um papel social mais importante o que, para algumas delas, pode ser muito recompensador.
   
Para os jovens é uma oportunidade de ter novas experiências, adquirir novos conhecimentos e criar uma rede de contactos que pode ser importante no seu futuro. Há estudos nos Estados Unidos que demonstram (Menchik, Weisbrod) que uma experiência de voluntariado vivida por uma pessoa enquanto jovem proporciona um aumento do seu rendimento quando adulto.
   
Para um reformado o voluntariado pode ser uma oportunidade de se sentir mais útil na sociedade, partilhando as suas experiências e ajudando os outros, e também uma forma de evitar o isolamento social.
   
Muitos voluntários trabalham em coletividades recreativas, desportivas e artísticas para poderem usufruir deste tipo de atividades que de outro modo, se não fossem organizadas ou criadas pelos próprios, não estariam disponíveis nas suas localidades.

   

Todo os voluntários no entanto tem uma caraterística em comum: é importante para eles o reconhecimento pelo trabalho que fazem e pelo tempo que dedicam às suas atividades voluntárias.
   
Assim aqui deixo uma pequena homenagem a todos os voluntários que não se acomodam no conforto das suas casas e saem para ajudar aos outros.Fotografia de capa por Natesh Ramasamy

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Boguslawa Sardinha

Professora de economia
Nascida na Polónia, doutoramento europeu em economia, investigadora na área de economia social; professora da ESCE/IPS desde 1997.

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