O Programa do Desporto Escolar 2013-2017 “(…) visa aprofundar as condições para a prática desportiva regular em  meio escolar (…)” e no qual estão incluídas as atividades náuticas, nomeadamente as modalidades de Canoagem, Prancha à Vela, Remo, Surf e Vela. Neste âmbito, os 32 centros de formação desportiva existentes em todo o país, são uma mais-valia, acima de tudo como um forte promotor da literacia náutica dos nossos jovens em contexto escolar, numa perspetivo de incentivo e sensibilização para a prática de atividades náuticas.

Na Península de Setúbal estão sediados dois desses centros, um no Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama e outro no Agrupamento de Escolas da Caparica, Almada. O primeiro desenvolve as atividades de Vela, Prancha à Vela, Remo, Canoagem e Natação, e o segundo Vela, Surf, Canoagem e Remo. Este tipo de estruturas concentram no seu espaço uma reunião de esforços ao nível de material, instalações e logísticas imprescindíveis à prática destas modalidades, mas também os recursos humano com o know-how exigido para a sensibilização e primeiro contato do aluno com estas modalidades.

Na crónica anterior, foram evidenciadas as modalidades com maior prática na nossa península, estando a Vela, o Remo, a Canoagem, a Natação, o Surf e a Prancha à Vela beneficiadas neste enquadramento, faltando apenas às Atividades Subaquáticas, serem enquadradas neste conceito. A Federação Portuguesa de Atividades Subaquáticas aposta neste momento num projeto de desenvolvimento de algumas das suas práticas, através da sensibilização e implementação do projeto de Academia de Atividades Subaquáticas. O projeto inclui programas de Mini-Hóquei e Hóquei Subaquático, assim como as vertentes de Natação com Barbatanas e Mergulho em Apneia, destinado aos jovens com idades compreendidas entre os 8 e os 15 anos, podendo ser mais uma aposta a ser incluída nos centros de formação desportiva da nossa península.

Outro aspeto fundamental e importante, é a necessidade de aproximação das federações desportivas e clubes das respetivas modalidades, junto da escola e do desporto escolar, no sentido de dar continuidade à sensibilização e iniciação desportiva de base promovida por estes centros e pelos núcleos de desporto escolar, assunto abordado por treinadores e professores durante o II Simpósio Internacional de Treinadores de Canoagem, organizado pela Federação Portuguesa de Canoagem, autarquia e clube locais, no passado fim-de-semana. O modelo de Desenvolvimento de Atletas a Longo Prazo, traduzido e adaptado dos modelos canadianos (Long Term Athlete Development) usado por várias modalidades desportivas, apresentam um formato fácil de adoção e de ideal encadeamento na formação desportiva do jovem praticante/aluno, no qual é evidenciado o trabalho sequencial e colaborativo quer da Educação Física e Desporto Escolar, quer do Desporto Federado e Recreativo.

Mais uma vez, e usando as palavras do Professor Luís Cunha, é evidentemente necessário cultivarmos e promovermos o conceito de trabalho colaborativo, através do aumento da nossa rede de parceiros, informação e conhecimento, com o objetivo do nosso desenvolvimento desportivo nacional.

Fotografia de capa por gnuckx

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Ivo Quendera

Licenciado em Desporto

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