Até 2100, estima-se que o número de pessoas com mais de 65 anos expostas a ondas de calor poderá ultrapassar os três mil milhões por ano, enquanto hoje não chega a 500 milhões.

Segundo a OMS, as alterações climáticas são uma emergência médica e a mesma aponta para um aumento de 250 mil mortes por ano devido às alterações climáticas, em consequência dos efeitos diretos ou indiretos das ondas de calor.

Os alertas surgem quando faltam cerca de cinco meses para a conferência do clima de Paris (COP21), onde se aguarda um acordo mundial que suceda ao protocolo de Quioto e que leve o maior número de países a adotar medidas para conter o aquecimento global, até ao final deste século. O acordo de Paris determinará todos os esforços para contenção das emissões de gases do efeito estufa que têm prejudicado o equilíbrio climático do planeta, que faz com que secas, inundações e tempestades sejam cada vez mais comuns, além do preocupante aumento do nível dos mares e da temperatura.

Em Portugal, cenários traçados indicam que teremos um clima mais desértico, nomeadamente no Alentejo e no Algarve, maior stress hídrico tendo em conta a água disponível agravado por alterações na precipitação que, ao invés de ocorrer ao longo do ano, será mais concentrada. Doenças tropicais provocadas por agentes da malária e do dengue podem surgir em território nacional.

Até 2030 Portugal terá que reduzir as emissões de gases de efeito de estufa em 40%, face às emitidas em 2005.

E o que é que nós, cidadãos, podemos fazer para ajudar a superar esta crise climática? Sozinhos, não podemos fazer muito, ninguém pode. Mas se cada um contribuir, todos juntos, seremos poderosos.

Podemos repensar as nossas atitudes e estilo de vida, reduzir a nossa pegada ecológica através da redução no consumo: consumindo menos energia, menos água, comprando menos, optando sempre que possível por reutilizar e reciclar, escolhendo uma alimentação com menos carne, utilizando meios de transporte menos poluentes, preferindo os transportes públicos aos particulares, partilhando. Escolhendo casas, carros e equipamentos energeticamente e ambientalmente mais eficientes. Instalando sistemas de energias renováveis, melhorando o isolamento e ventilação natural dos edifícios, não sobreaquecendo as nossas casas, evitando fugas e desperdícios de água. Podemos agir em casa, na rua, podemos reciclar e podemos intervir.

O momento de alterar o nosso estilo de vida para um mais sustentável foi ontem, é hoje e será amanhã. Vamos ter que mudar, temos que desacelerar o consumo de recursos para que o planeta chegue para todos.

Fotografia de thekeithhall

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Olga Paredes

Engenheira Química, Ambiente e Qualidade
Licenciada em Engenharia Química - Ambiente e Qualidade. Pós-graduação em Gestão de Laboratórios. Mestrado em Análises Químicas Ambientais. Profissionalmente, desempenho funções de coordenadora de departamento de laboratórios. Assumi, durante 2013, o cargo de vereadora do pelouro da sustentabilidade ambiental, a tempo inteiro, na Câmara Municipal do Barreiro. Formadora na área do ambiente, qualidade e química.

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