É possível encontrar na literatura várias propostas referentes ao ecossistema empreendedor (Neck et al, 2004; West e Bamford, 2005; Cohen, 2006; Isenberg, 2009; Autio et al, 2014). Alguns modelos apresentam elementos mais específicos (Neck et al, 2004; West e Bamford, 2005; Cohen, 2006), outros elementos mais holísticos (Isenberg, 2009; Autio et al, 2014). Os modelos apresentados por Neck et al (2004) e Cohen (2006) incluem especificamente a referência das redes formais e informais como elementos fundamentais do ecossistema empreendedor. Dadas as características da atividade empreendedora TER, onde existe uma prevalência de empresas familiares de pequena escala, o funcionamento em rede é crucial e a existência de infraestruturas apropriadas e de uma cultura empreendedora é fundamental. Assim, o modelo de Neck et al (2004) revelou-se particularmente útil no que concerne à identificação e compreensão do ecossistema empreendedor para o TER na região de Setúbal. Neste modelo o autor identifica um conjunto de elementos cruciais: 1) organizações incubadoras; 2) redes informais; 3) redes formais; 4) infraestruturas físicas e 5) cultura.

Tabela 1 - O Ecossistema empreendedor da atividade TER na região de Setúbal

Tabela 1 – O Ecossistema empreendedor da atividade TER na região de Setúbal

É, no entanto, importante lembrar que estes elementos do ecossistema empreendedor isolados, apesar de importantes, são insuficientes para gerarem e manterem a atividade empreendedora. Estes têm de estar integrados num sistema holístico, devendo os leaders políticos dar particular atenção às nove prescrições apresentadas por Isenberg (2010): 1) parar de querer ser o Silicom Valley, recriar as condições existentes em Silicom Valley (tecnologia, dinheiro, talento, uma massa crítica de negócios e empresas, uma cultura promotora da inovação colaborativa e uma grande tolerância ao erro) é muito difícil e sem essas condições não é viável recriar aquele ecossistema; 2) moldar o ecossistema em torno das condições locais; 3) envolver o setor privado desde o início; 4) favorecer o alto potencial; 5) conquistar vitórias, um sucesso pode ter um efeito estimulante sobre um ecossistema empreendedor; 6) alterar uma cultura profundamente enraizada é difícil, mas é possível alterar as normas sociais sobre empreendedorismo; 7) não inundar os potenciais empreendedores com dinheiro fácil, estes devem ser expostos ao rigor do mercado o mais cedo possível; 8) ajudar os clusters a crescer organicamente e, por fim, mas não menos importante 9) criar um quadro legal e regulatório crucial para o empreendedorismo.

Fotografia de Luci Correia

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Teresa Costa

Professora Adjunta na Escola Superior de Ciências Empresariais
Professora Adjunta no departamento de Economia e Gestão do Instituto Politécnico de Setúbal, é atualmente Diretora do Mestrado em Ciências Empresariais e da Pós-Graduação em Gestão e Marketing Turístico. Doutorada em Gestão encontra-se a fazer o pós-doutoramento em Gestão na Universidade de São Paulo, sobre o tema do Empreendedorismo e Capital Social em Turismo Rural. É autora de capítulos de livros e vários artigos científicos publicados em jornais e revistas nacionais e internacionais. Faz parte de vários projetos de investigação nacional e internacionais e de comités científicos de diversas conferências e revistas internacionais.

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