A intervenção há muito exigida, há muito propalada e só recentemente efetuada da remoção das placas de fibrocimento que contêm  amianto nas escolas que as tinham como cobertura,  chegou ao fim nas palavras do Sr. Secretário de Estado. Tudo está bem, no seu entender, e só em circunstâncias muito especificas “como fissuras” se voltarão a fazer intervenções. Este Secretário de Estado também já nos habituou a dizer umas coisas que nunca correspondem à realidade…já quase nem estranhamos. Só quem desconhece, ou é mal assessorado, pode proferir tamanhas ineptidões.

   

Os factos: Há escolas onde a intervenção se limitou a retirar as placas de amianto que estavam nos corredores ao ar livre que alunos e professores percorrem para chegar às salas de aula. E se estes espaços podem ser considerados importantes, até porque serão os mais fustigados pelas intempéries, o que dizer de balneários de educação física onde os assistentes Operacionais (todos os dias na semana)  , os professores  (quase sempre semana sim semana não) e os alunos duas vezes por semana se equipam para poder aceder ás aulas. Então o espaço não é tão importante como os corredores de passagem. Então quando se está dentro dos balneários não se vê o amianto ali bem por cima das nossas cabeças. Não se sente o calor intenso de verão e o frio gélido de inverno…onde chove através delas. Porque não foram essas placas removidas? Não estão elas também em contacto direto com os Assistentes Operacionais, com os alunos e com os professores?

   

Há qualquer coisa que esta centralização de serviços do Ministério da Educação não vislumbra por se sentir acomodada e sapiente de tudo o que é escola nos espaços mais ou menos recônditos do país. O exemplo que lhes dou nem é de longe. É do distrito de Setúbal, escola frequentada por mais de novecentos alunos e com um conselho geral que até aprovou uma recomendação para que a retirada de amianto fosse uma realidade a curto prazo.

   

Agora vem o governo dizer que a obra está concluída quando até todos os blocos ,que embora tenham estrutura/placa de cimento nos seus tetos, têm placas de amianto que os cobrem não foram mexidos .Bastará ler alguma bibliografia no googllite para se perceber que as partículas não só caiem de cima para baixo como se propagam com o vento em todas as direções. Que raio andamos nós a fazer que fazemos. No Ministério da Educação e Ciência aliás como em muitos outros a tática é tapar pequenos buracos para que exista noticia. Tal como a noticia da reposição de 20% do salário que havia sido retirado…que fórmula será utilizada? Mais uma manobra do “fazer que faz” para ser noticia.Fotografia de capa por rkimpeljr

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José Carlos Sousa

Professor
Formação inicial magistério primário de Lisboa, Licenciatura em educação física - Escola Superior de Educação Almeida Garrett; Doutorado em Ciências da educação ramo de administração e gestão educativa pela Universidade de Évora e, Politicas de descentralização e desconcentração: o papel das equipas de apoio às escolas na implementação das medidas de politica educativa entre 2005 e 2011. Vereador na Câmara Municipal de Palmela entre 2005 e 2013. Coordenador educativo da península de Setúbal sul 2005 e 2006. Coordenador da equipa de apoio às escolas da península de Setúbal sul (concelhos de Setúbal; Sesimbra, Montijo; Alcochete e Palmela) de 2006 a 2011. Formador da Direção geral de educação na área da proteção à infância e Juventude.

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