A amplitude e duração da austeridade provocou uma crise na política económica. O fracasso das medidas impostas pela Troika, promoveram e arrastaram o desemprego e uma deficiente e imprópria distribuição dos rendimentos.
Esta grande desigualdade na distribuição dos rendimentos, mostra que a economia está muito dependente dos investimentos e de maiores níveis de consumo.

Por outro lado, as estruturas bancárias que suponhamos fortes e consolidadas, apareceram-nos como estruturas perfeitamente inseguras e insensatas, raiando a imprudência.

Os governos, embora tendo conhecimento destas deficiências e dos conflitos daí resultantes, pouco ou nada fizeram, acrescentando medidas de gestão ruinosas sugeridas pela troika, que ainda tornaram as coisas bem piores.

Os estímulos financeiros, entretanto postos em prática, para ajudar o crescimento da economia, parece não terem dado os resultados desejados, continuando-se a assistir ao agravamento das desigualdades de rendimentos e ao empobrecimento da população.

Apesar das tentativas de se promover o investimento e, consequentemente, melhorar o crescimento e a criação de postos de trabalho, tudo indica que não se optou pelo melhor caminho, materializado por realizações concretas e gradualistas, com vista a fazer crescer as economias e não forçando a uma devastadora razia de falências.

Numa época de maioria liberal democrática, as assimetrias na distribuição dos rendimentos está a criar um enorme impacto negativo na classe média, trazendo um aumento de riqueza aos ricos e mais pobreza aos pobres, especialmente à classe que aguenta os países: a classe média.

Continua, pois, a verificar-se a concentração de riqueza nos escalões mais ricos da sociedade em desfavor dos mais afetados, que cada vez estão mais pobres e vulneráveis e, cada vez mais, sem ânimo para tentarem alguma recuperação e dignidade no Mundo do Trabalho.

O prolongamento da crise neste mundo desconexado, só se consegue justificar pela ignorância dos seus governantes e pelo seguidismo dos burocratas da troika, que não tendo qualquer mandato do Povo, impõem, a troco de financiar a economia dos países, empréstimos a juros e prazos incomportáveis, criando pobreza em vez de desenvolvimento.
O cenário da austeridade em que nos colocaram é de crise acelerada, tornando-se necessário uma Nova Ordem Europeia com forte influência no investimento e no crescimento.

Bom será não esquecer que qualquer unidade política e financeira só terá êxito depois de uma grande unidade económica. Falta saber, pois, se alguma vez, na verdade, se concretizará a unidade e coesão necessárias para na reconstrução da Europa se chegar à criação dos Estados Unidos da Europa. Aguardemos que alguém ou alguma Fundação se proponha executar o Balanço do que (não) se fez e do que tem de ser levado a cabo para que os Povos da União Europeia tenham uma solução para a PAZ duradoura e para o crescimento mútuo sustentável.

Fotografia de Soroll

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António Alves

Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal
Foi Membro da Direção do Clube Naval Setubalense, da Direcção da ANEE-Ass Nacional das Empresas Operadoras Portuárias, da Direcção Nacional dos Agentes de Navegação do Centro de Portugal. Foi também Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal, do Conselho Geral do Hospital do Barreiro, da Direcção do Club Setubalense, da Assembleia Geral do Club Setubalense e da Academia de Música e Belas Artes Luisa Todi. Para além disso, foi Vice Presidente da Liga dos Amigos do Fórum Luisa Todi e Presidente da Assembleia Geral do Vitória Futebol Clube-SAD, bem como Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal. Atualmente é reformado.

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