Chegámos ao fim de 2014. Com alguma incredulidade constato os mesmos dizeres.

   

Para muitos, o ano que agora acaba, foi bom, melhor do que o transacto. Para outros, foi bom, porque para pior já basta assim. Para outros ainda, foi bom, porque bem vistas as coisas até temos tido sorte, pois poderia ser bem pior.

   

Pois eu digo que o ano que agora termina, foi um dos mais negros da nossa História!

   

Não dariam estas páginas para descrever os mais sentidos pesares, decorrentes de uma política que nos vai amassando.

   
E a culpa, essa, não é só minha.

   

Sinto que tenho de a partilhar com mais alguém.

   

Com quem queira, por um lado, com quem assuma uma cota parte, por outro,  mas sobretudo com quem assobia para o lado e finge que não é nada consigo.

   
Com quem, desistindo de lutar, embarga os sonhos de um povo e de uma cultura.

   

Com quem simplesmente critica e nada produz, nada cria. Com quem se acomoda na modorra dos dias, esperando o D. Sebastião. Com quem, desistindo de lutar e de viver, sucumbe, acabando por se deixar consumir e em  seu redor deixar apagar a última réstia de esperança.

   

E assim, por entre a verborreia de bancada, vai a maior parte andando, com a cabeça entre as orelhas.

   

É preciso não baixar os braços e haver disposição para resistir até ao último folgo.

   

Da nossa parte foi  mais um ano em que se esgrimiram argumentos, os mesmos, porventura.

   

Mais um ano de manifestações, das mesmas, daquelas que representam somente um direito do povo e dos trabalhadores.

   

Verificámos mais um ano consumido pelas greves, pelas que se fizeram noutros sectores e também pelas greves que não podemos fazer, por imperativos, quer da palavra, quer do pensamento consagrado e cristalizado.

   

Em suma, mais um ano de luta, como água mole em pedra dura.

   

A classe política governativa, perfumada e sabida dos seus deveres, orientada por um norte muito bem identificado, sabe bem do seu ofício.
   

Gaba-se das suas conquistas, goza das regalias e dos benefícios de quem está por cima. Olha para o tabuleiro do xadrez da vida e vê os seus recursos, não somente como “pedras” imbuídas de um papel, mas sobretudo como números, como ganhos ou perdas. Uma mera rubrica no balancete das contas do Estado.

   

Resta-nos insistir por tanto que é preciso… em 2015.

   

Reza a doutrina popular, que assim sendo, algum dia a água furará a pedra.

   

Devemos tentar fazê-lo, sobretudo com quem possa ter oportunidade de pensar diferente, de se empenhar, de realizar, de construir.

   

E é tão fácil, tão fácil como lutar, basta querer.

   

Por isso lanço um convite, o de sermos mais felizes, em 2015.

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António Loura

Presidente da Direção Distrital de Setúbal da ASPP-PSP

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