Este ano não houve FUMO, o Festival Urbano de Música e Outras Coisas da Experimentáculo, interrompido pela primeira vez desde 2010. Tal como não houve Festróia. Ou Ecos do Sado. Ou Rock no Sado. A conjuntura nacional, como sabido, não está para estas aventuras e tem sido cada vez mais difícil manter de pé projetos culturais de longo termo. No entanto, no caso do FUMO, estamos a falar de uma pausa. E enquanto esperamos pelo seu regresso vamos agora ter… Sinais de Fumo.

Ao longo de cinco edições, o FUMO trouxe a Setúbal e a vários espaços notáveis e, por vezes, inesperados (mas sempre com valor histórico ou patrimonial), dezenas de bandas e artistas. O grande destaque tem que ir para os Mão Morta, que em trinta anos de carreira nunca tinham tocado a Setúbal, mas a lista podia prolongar-se por várias linhas. Deixo aqui apenas alguns: Dead Combo e a Royal Orquestra das Caveiras, Pop Dell’Arte, Legendary Tigerman, Rita Redshoes, Mazgani, Linda Martini.

Contudo, cinco anos volvidos, fazia também sentido reavaliar o formato do festival. Dividido por dois fins-de-semana, o FUMO estendia-se por vários espaços da cidade, sempre no mês de Junho. Quando surgiu, esta opção fazia todo o sentido. Pela cidade não abundavam propriamente espaços culturais, nomeadamente que acolhessem espetáculos musicais regularmente. Ao levar a música a espaços culturais normalmente não associados à música, como museus ou galerias, o festival estava a promover o património setubalense, mas também a contornar essas limitações. No entanto, de 2010 a 2015, o fórum Luisa Todi reabriu, a Casa da Cultura foi inaugurada e o Quartel do 11 foi remodelado, só para dar o exemplo de três auditórios onde a programação musical tem sido regular desde então.

Por isso, esta pausa também serve para reformular o FUMO. Quando voltar, em 2016, este terá um formato ligeiramente diferente, fazendo face a esta nova conjuntura. Até lá, teremos Sinais de Fumo. Ou seja, concertos regulares, de média/grande dimensão, em diferentes espaços da cidade, que nos lembrarão que o FUMO regressará em breve e que manterá Setúbal no roteiro dos concertos de música alternativa. E o primeiro é já dia 24 de Outubro, na Capricho Setubalense, com a atuação de Mazgani, atuação de todo pertinente, por dois motivos: primeiro, porque Mazgani tem um novo disco e ainda não o apresentou em Setúbal; e segundo porque, na primeira edição, Mazgani foi o artista que fechou o festival, com um concerto inesquecível nos claustros do Convento de Jesus. Por isso, era quase uma obrigação que os Sinais de Fumo começassem assim.

Até lá!

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José Vale

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