Um dos assuntos que tem gerado maior debate nos últimos anos é a questão dos combustíveis fósseis e a sua influência no ambiente, presente e futuro. A poluição é uma constante, com níveis cada vez mais preocupantes, e com repercussões que se preveem complicadas a longo prazo, que afinal, não está assim tão distante.

O aumento da temperatura da terra está diretamente associado à emissão de gases com efeito de estufa, tal como já aqui falei. Este aumento, que se tem verificado nas últimas décadas, está a afetar diretamente os recursos hídricos existentes, na biodiversidade, na saúde humana, na agricultura, na energia, na economia…

O desenvolvimento socio-económico desencadeou, nomeadamente nas áreas metropolitanas, uma crescente necessidade de mobilidade de pessoas e bens. A dispersão das atividades e serviços e o distanciamento das zonas residenciais dos locais de trabalho que se tem verificado nas últimas décadas são as principais causas para a maior utilização do transporte individual e para o desenvolvimento da rede de transportes públicos.

A sustentabilidade de qualquer cidade de futuro só é possível conjugando a mobilidade às preocupações ambientais, só assim será possível garantir a qualidade de vida dos cidadãos.

A mobilidade urbana é, de facto, um assunto complexo sendo atualmente um dos maiores consumidores de combustíveis fósseis e, consequentemente, contribuintes para a emissão de gases com efeito de estufa (GEE). Assim sendo, a promoção de uma mobilidade sustentável é fundamental para reduzir o peso do consumo de energia no setor dos transportes e diminuir a emissão de GEE. A utilização crescente de biocombustíveis é, também, uma solução que já começou a ser implementada, para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.

Porém, para promover uma mobilidade sustentável, ou pelo menos caminhar nesse sentido, é necessário que exista uma integração entre os diferentes meios de transporte, de modo a otimizar a sua utilização, reduzir os congestionamentos e os consumos de energia. Para que seja cómodo para o cidadão comum, a sua utilização.

A promoção de uma rede integrada de transportes públicos acessíveis e relativamente rápidos, tem sido a solução encontrada, com sucesso, noutros países para evitar/diminuir a utilização do transporte privado. Deveria ser assim, também, na área metropolitana de Lisboa (AML), nomeadamente nas deslocações entre as margens do Tejo. Transportes fundamentais que terminam às 22h durante a semana são impossível de utilizar para quem trabalha por turnos, por exemplo, ou até na restauração, na margem norte e vive na margem sul.

É necessário ter uma estratégia de mobilidade integrada, ao nível regional, permitindo uma maior mobilidade regional das populações. Potenciar a utilização dos transportes públicos, implica ganhos significativos, não apenas do ponto de vista económico mas fundamentalmente de sustentabilidade ambiental.

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Olga Paredes

Engenheira Química, Ambiente e Qualidade
Licenciada em Engenharia Química - Ambiente e Qualidade. Pós-graduação em Gestão de Laboratórios. Mestrado em Análises Químicas Ambientais. Profissionalmente, desempenho funções de coordenadora de departamento de laboratórios. Assumi, durante 2013, o cargo de vereadora do pelouro da sustentabilidade ambiental, a tempo inteiro, na Câmara Municipal do Barreiro. Formadora na área do ambiente, qualidade e química.

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