A Margem Sul voltou a ser grande notícia… mas não pelas razões do costume. Desta vez, foi a criação do nome da campanha de promoção do Plano Marketing Territorial para o Arco Ribeirinho do Sul. No sítio da Câmara Municipal do Barreiro aparece a seguinte explicação: ““Lisbon South Bay” é o novo “nome” para promover internacionalmente os territórios da Lisnave, Quimiparque e Siderurgia, situados nos concelhos de Almada, Barreiro e Seixal. […] Este novo “nome” resulta do lançamento de um Plano de Marketing para os territórios da Baía do Tejo, no âmbito de uma candidatura ao Programa Regional Operacional de Lisboa […].”

Lisbon South Bay… Lisbon South Bay??? Lisbon South… What???

Pois, os comentários explodiram nas redes sociais da Internet e nos tradicionais meios de comunicação social… em suma, haviam dois denominadores comuns nas críticas: 1) a utilização de um nome em inglês e 2) a substituição do termo “Margem Sul”.

Ora… “Margem Sul” – o que é isto?

É uma definição assente em estereótipos e numa localização geográfica muito vaga… em Portugal, há muitas margens sul (do Douro, do Sado…) – numa perspectiva geográfica, a própia margem sul do rio Tejo envolve territórios como Salvaterra de Magos, Abrantes ou Cuenca em Espanha… há muitas margens sul mas em Portugal há só uma…

Margem Sul é o que fica do outro lado de Lisboa… território que carrega muitos preconceitos que o inferiorizam em relação à capital… em relação ao país. O rio Tejo tem sido uma barreira demasiado grande para transpôr e colocou os que estão no outro lado sempre numa situação de dependência. Tão perto no entanto tão longe…por isso é tão difícil para quem não é da Margem Sul perceber o que é isto de ser da Margem Sul…

Ora… “Margem Sul” – o que fazer?

Podemos criticar muita coisa nesta proposta da “Lisbon South Bay” – o nome, a sua implementação ou o dinheiro gasto… – mas a vontade de criar uma estratégia para internacionalizar e captar investimentos estrangeiros é de louvar e está a ser criticada por um certo espírito “parolo” que as pessoas da Margem Sul criaram dentro de si próprias… este bairrismo acaba por nos atar a nós mesmos e cria uma espécie de autarcia autofágica. A Margem Sul tem de ser espaço aberto a novas formas de pensar a política, a sociedade, a cultura e economia. A Margem Sul é mais do que uma paródia musical do Rui Unas – o centro da área metropolitana de Lisboa está no rio que nos deve unir e não separar… ao contrário do que se possa pensar, a Margem Sul é um sítio seguro, bonito e habitado por muitas pessoas honestas. Mais do que um subúrbio, a Margem Sul é uma território de oportunidades. Numa perspectiva internacional.

Estou farto de ver jovens dos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro numa migração diária para Lisboa para desenvolver o seu projeto de vida – a “Lisbon South Bay” é uma terra com enormes potencialidades se perder numa concorrência com Lisboa como se fosse um patinho feio… a Margem Sul é linda – porra!!!

The following two tabs change content below.

Nuno Carvalho

Formador profissional
Nuno Carvalho é formador profissional e tem desenvolvido um trabalho na área da Educação Não Formal associada às Tecnologias de Informação e Comunicação. Foi um dos fundadores da Rato - Associação para a Divulgação Cultural e Científica, que tem desenvolvido um trabalho no domínio da inclusão literacia digitais.

Últimos textos de Nuno Carvalho (ver todos)