Para assinalar o dia da mulher, a CGTP desenvolveu uma campanha que percorreu o país com o lema efetivar a igualdade/emprego de qualidade, com objetivo de honrar o testemunho das mulheres que deram a vida pela conquista de direitos e lembrar que a Igualdade é um direito consagrado na Constituição da Republica Portuguesa.


De norte a sul, foram denunciados os dados que provam a contemporaneidade das questões da (des)igualdade: há mais mulheres do que homens no desemprego, entre as quais 70% sem acesso a qualquer proteção social/subsidio, auferem em média menos 17.5% do que os homens e, consequentemente, têm pensões/reformas de valor mais baixo, acumulam maior numero de mais horas totais trabalhadas (no trabalho e em casa), são as mais afetadas pelo desemprego e precariedade e estão mais expostas às mais variadas dimensões de violência. São, sem dúvida, vítimas fáceis dos efeitos da austeridade.


Na grande maioria das empresas/instituições o medo está instalado. O Estado, supostamente exemplo e regulador, ganha espaço e é “ponta de lança” no assédio moral. O objetivo, parece ser fazer com que as relações de trabalho deixem de ser uma troca entre quem sabe fazer/produzir/cuidar e quem precisa/gere esse talento. Para passar a ser um favor de quem emprega a quem é empregado. Ao trabalhador, chamam agora colaborador (já nem trabalha, colabora!) procurando justificar a sonegação de direitos, a humilhação, a exploração usando formas sub-reptícias de desvalorização do trabalho.


O valor social do trabalho é comprovadamente, um fator determinante de valorização dos homens e mulheres, diminuir o valor do trabalho, retirar direitos é atentar contra a dignidade Humana.


Nas instituições de saúde, onde se cuida de gente, os profissionais não são cuidados. O aumento do horário de trabalho com diminuição do vencimento, os turnos seguidos, as semanas consecutivas sem folgas (15/20/25 dias de trabalho consecutivo), a ameaça, os gritos….tudo isto é violência. O cuidador cala, exausto, sem esperança nem força para lutar. Do trabalho o medo é transportado para casa, onde é replicado, ampliado, entra num ciclo viciado sem ganhos pessoais, laborais ou sociais. É a gestão da estupidez, da desumanidade, do dolo, a gestão incentivada no tempo da austeridade.


Sonhamos com o dia em que seja assinalada a igualdade conquistada, em que se lembrem apenas os vencidos tempos da discriminação, se honre a luta dos que hoje batalham essa frente e se prossiga na conquista de sociedades verdadeiramente evoluídas. Onde se respeite a diferença, onde não mais exista a exploração, onde se pugne pela valorização e proteção do ser Humano, onde abril vença de novo.

Fotografia de capa por Celestine Chua

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Zoraima Prado

Dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses
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