Desde janeiro de 2015 a Grécia ficou a ser governada por um novo partido, fora do arco governativo local (o PASOK ou a Nova Democracia), a Coligação da Esquerda Radical, em grego, Synaspismós Rizospastikís Aristerás, abreviado Syriza, (lê-se Sí-ri-za ou “partido que ganhou as eleições gregas”, caso sejamos primeiros ministros de Portugal), o que automaticamente assustou muita gente pois traduziu em poder político a viragem à esquerda patente nos países do sul da Europa.


O pior não foi isso, o pior veio depois de ganharem as eleições, algo tão horrível como, como… reparem… nem tenho palavras para descrever…


O Syriza cumpriu as promessas eleitorais.


Há coisas más na política, mas honestidade deve ser a pior. Então prometem coisas e depois cumprem-nas. Não sabem que a honestidade e a política não se misturam. A honestidade não tem lugar na política.


Mas se calhar o Syriza não fez por mal, se calhar nem os membros do Syriza eram políticos, e possivelmente nem conheciam esta incompatibilidade. Mas em sua salvação veio o ministro austríaco das finanças que disse que o Governo grego está “em modo eleições e não em modo de trabalhar”. Pois claro, é a única possibilidade. Então vai um povo eleger um partido, devido às suas promessas eleitorais, e esse partido vai cumprir as promessas? Está tudo doido! E se a moda pega?


Não conheço o suficiente sobre o estado das finanças gregas, nem sobre o sacrifício do povo grego, mas olhando para alguns números a Grécia não parece muito bem, reparem: com a imposição das medidas de austeridade na Grécia os suicídios aumentaram em 35%, o desemprego é de quase 30% do total, cerca de 60% para os com menos de 25 anos de idade, dobrando os valores de 2010, enquanto os salários caíram quase 40%. E o que fez o novo ministro das Finanças grego, declara simplesmente: “Eu sou o ministro das Finanças de um país à falência”. Não. Mas voltamos à honestidade. Novamente. Não. Ainda não aprendeu a… “politicar”.


Mas ao contrário destes senhores, em Portugal “política-se” muito bem. O nosso primeiro-ministro veio logo afirmar (não vá os portugueses porem-se ao lado deste tipo de ideias) que Portugal é “de longe o país dentro da União Europeia que, em percentagem do seu produto, maior esforço fez de apoio e solidariedade em relação à Grécia”. Como podem verificar é mentira, ou é “política”, como quiserem chamar, pois verdade Portugal tem uma exposição à divida grega de 2676 milhões de euros, o que representa 1,5% do PIB nacional, são cerca de 257,5 euros por pessoa, bem abaixo de países como a Alemanha, a Espanha ou a França.


Tenho pena do nosso primeiro-ministro tratar a dívida que a Grécia tem com Portugal com tamanho fulgor e depois não ter o mesmo fulgor para tratar da alegada fuga aos impostos, neste caso, auxiliada pelo HSBC. E neste caso, os depósitos totalizam 857 milhões de euros, migalhas… Mas o nosso primeiro-ministro anda cansado depois de tanto tempo a tratar da Grécia, deixemo-lo descansar um pouco.


E deve andar mesmo cansado, porque países como a Grécia, são problemáticos, são difíceis, e dão muito trabalho, simplesmente parece que não querem trabalhar o suficiente, andam sempre cansados. Dão-lhes comida e um teto, mas mesmo assim parece que querem mais, e parece que o trabalho do nosso primeiro-ministro é pô-los na ordem… Ou estou a pensar no filme Django Libertado… Não sei, se calhar estou… pense nisso.


Gostava, para terminar de deixar apenas uma palavra de esperança. O Partido Democrático Republicano (o partido do Marinho e Pinto) vê reconhecida a sua legitimidade pelo Tribunal Constitucional, e pretende se afirmar em todos os concelhos do país. Podem visitar a página do facebook em https://www.facebook.com/pages/Partido-Democrático-Republicano-Setúbal/366034623550967.

Fotografia de capa por The U.S. National Archives

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Rui Pereira

Membro da Direção da Associação Cultural e Artística Elucid’Arte
Nascido em Setúbal, Licenciado em Arquitetura pela Universidade Moderna de Setúbal, Licenciado em Engenharia Civil pela Escola Superior de Tecnologia do Barreiro – IPS, inscrito nas respetivas Ordens Profissionais e Doutorando em Arquitetura, especialidade de Teoria e Prática do Projeto, na Faculdade de Arquitectura – ULisboa. Domínios de atividade profissional: Gestão de projetos e obras, Auditoria e Fiscalização, Consultor e Formador. Membro da Direção da Associação Cultural e Artística Elucid’Arte desde 2008.

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