Na área financeira as Tecnologias de Informação estão no centro da evolução do mercado. As mudanças muito rápidas no modo como se processam, através da Internet, os negócios, são exemplo dessas mudanças, tornando-as mais fáceis, mais interactivas e direccionadas.


Embora o contacto pessoal oferecido pelas agências tradicionais continue a ser essencial, a maioria dos produtos financeiros passarão a ser comercializados, á distância, pela via dos novos canais. As funções tradicionais perderão importância em favor de técnicos especializados em informática e “marketing”. O grande desafio da banca será fidelizar clientes, oferecendo-lhes soluções atractivas.


Os universos da economia real têm mantido algum suspense sobre a boa evolução dos mercados, o que se traduz em algum desconforto para os investidores. De qualquer forma, os níveis de negócios e as notícias dos mercados de capitais, têm aumentado a esperança entre investidores mais prudentes. Se isto se confirmar, nada impede governos e bancos centrais de actuarem no sentido de estimular e moderar o sector privado das economias.


Vamos esperar que os responsáveis financeiros não permitam que alguns burocratas, por teimosia, procurem fazer girar a bússola no sentido de uma deflação paralisante, com todos os problemas e inconvenientes daí resultantes; e nós, portugueses, já pagámos caro pela crise que nos obrigaram a atravessar, envolvendo-nos simultaneamente em desigualdades e instabilidades extremas que, neste início de Campanha eleitoral, se está a tentar sacudir em equilíbrio apropriado a um tempo de mudança.


Entretanto, a persistente crise tem pressionado as empresas a romper com os hábitos adquiridos nos anos da bolha. Os compromissos de emprego para a vida, possíveis em tempos de bonança, estão a ser gradualmente modificados perante as ferozes forças da chamada economia global. A EU pode explodir ou implodir, mas a esperança dos Povos que constituem a EU é continuar a acreditar que a Europa se manterá coesa, solidária e democrática.


Por aqui, continuamos preocupados com o andamento da economia portuguesa, que continua incapaz de conseguir atracção para investimento estrangeiro.


O endividamento das famílias não é confortável, dado que o desemprego continua a ser alarmante. O Estado pode e deve ter um papel mais activo na criação de investimento público e de criação de postos de trabalho. Estamos a chegar à hora da verdade e, necessariamente, têm de aparecer perspectivas de mudança e do encontrar de soluções para dar alento à economia e ao emprego.


Ninguém consegue acreditar que o FMI e o Banco Mundial têm vindo a fazer um bom trabalho. Pelo contrário, a sua actuação tem sido, muitas vezes, desastrosa e irrelevante, devido à sua estratégia irrealista para ajudar a reduzir as dívidas dos países pobres.


Não sou pessimista, mas este jogo de governos e mercados/operadores tão em voga nestes tempos de globalização, é mais insustentável do que se afirma. E as cumplicidades, ou se se preferir as articulações estratégicas entre Estado e Operadores, não são mais que jogos de interesses, de consequências imprevisíveis, onde quem sempre se “lixa é o mexilhão”.


Daí que a nossa resposta à Mundialização tem de ser a de reforçar os objectivos sociais e de melhoria das condições de vida da população que, apesar dos índices contraditórios apresentados pelo Governo e pela Oposição, continua ameaçada pela pobreza e exclusão social.


Porque é racional estar optimista, devemos alterar alguns pequenos hábitos e falar-se menos de produtividade. Se queremos desenvolvimento e criação de postos de trabalho, falemos antes de desenvolvimento. A capacidade de produção e a convergência competitiva vêm no desenvolvimento das actividades em laboração.


A política económica necessita de um novo equilíbrio alicerçado numa política orçamental, salarial e estrutural, é certo, mas, acima de tudo, necessita de uma preocupação com o investimento e criação de postos de trabalho. Só, assim, Portugal mudará. Os desafios que se nos colocam são demasiado importantes, toca a enfrentá-los e a desenvolvê-los.

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António Alves

Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Setúbal
Foi Membro da Direção do Clube Naval Setubalense, da Direcção da ANEE-Ass Nacional das Empresas Operadoras Portuárias, da Direcção Nacional dos Agentes de Navegação do Centro de Portugal. Foi também Presidente do Centro Coordenador do Trabalho Portuário de Setúbal, do Conselho Geral do Hospital do Barreiro, da Direcção do Club Setubalense, da Assembleia Geral do Club Setubalense e da Academia de Música e Belas Artes Luisa Todi. Para além disso, foi Vice Presidente da Liga dos Amigos do Fórum Luisa Todi e Presidente da Assembleia Geral do Vitória Futebol Clube-SAD, bem como Vice-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal. Atualmente é reformado.

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