Quem não ouviu já falar das surpreendentes impressoras 3D? São a “última roda” da criatividade humana e que deslumbram qualquer um de nós.


Pois é, as famosas impressoras 3D vieram para ficar e cada dia surgem novos usos para esta tecnologia. Ora vejam lá:


Em Paris a École Nationale Supérieure de Création Industrielle (ENCSI – les ateliers), uma das escolas de design, mundialmente mais conceituda, ao promover um workshop sobre ideias inovadoras, descobre três estudantes, Pierre Emm, Piotr Widelka e Johan da Silveira, que gostariam de criar uma impressora 3D que realizasse tatuagens disponíveis num banco de imagens. E aí estão os rapazes a fazer os seus testes para que a sua impressora possa fazer as melhores tatuagens do mundo, perfeitas e arrazadoras. Ainda estão a fazer testes, por isso quem quiser ser voluntário é só contactá-los e realizar o sonho da sua vida com uma bela tatuagem.


Mas não ficamos por aqui. Nos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade de Michigan revelaram uma nova utilidade para as impressoras 3D: salvar vidas. Se consultarem a publicação médica, The New England Journal of Medicine, vão encontrar um artigo sobre o jovem Kaiba Gionfriddo, no qual foi colocada uma prótese de traqueia, feita numa impressora 3D. O bebê que recebeu a prótese sofria de traqueobroncomalácia, doença na traqueia que impede que o oxigênio chegue aos pulmões. “Com seis semanas de vida, ele tinha retrações da parede toráxica e dificuldade em se alimentar”, afirma o estudo. Os médicos desenvolveram a prótese com base em tomografias da via respiratória do paciente. A peça foi feita de policaprolactona, material bioabsorvível pelo corpo humano em 3 anos, o que elimina a realização de uma nova cirurgia para a prótese ser retirada. Até lá, a previsão dos médicos é de que o paciente já tenha vias respiratórias saudáveis e não necessite mais da prótese.


E a partir daqui nós perguntamos: O que é que não se pode fazer com uma impressora 3D?


A lista de produção desta máquina fabulosa, vai crescendo dia a dia e para além das próteses para medicina, referidas anteriormente, podemos enumerar as maquetes de arquitetura, grande dor de cabeça para os alunos desta área, a produção, em pequena escala, de brindes, brinquedos, roupa, sapatos, bijuteria, “artesanato digital”, medalhas, protótipos diversos personalizados e… imaginem até produtos de cosmética, nos quais eu defino as melhores cores para a minha pele.


Mas o mais surpreendente é a revolução que as impressoras 3D estão a fazer na construção de casas. Sim na construção de casas. O professor Behrokh Khoshnevis da Universidade do Sul da Califórnia projetou uma impressora 3D gigante capaz de construir uma casa inteira em menos de 24 horas. A tenologia conhecida como Contour Crafting, poderá vir a revolucionar a indústria da construção, pois reduzindo os custos na produção das casas poderá contribuir para que as pessoas com baixos rendimentos possam ter casas com qualidade. O Contour Crafting é um processo construtivo  que utiliza um dispositivo semelhante a uma impressora 3D de grandes dimensões para a execução de estruturas de engenharia civil e que permite a automação parcial da construção de paredes, lajes, vigas, pilares ou outro tipo de elementos de edifícios. A tecnologia baseia-se no fabrico por camadas, no qual um mecanismo extrusor de injeção, movido por um sistema de posicionamento robótico controlado por computador, aplica a argamassa em sucessão, de acordo com a geometria do projeto tridimensional a executar. Graças à possibilidade de existência de múltiplos reservatórios e condutas de injeção, o sistema permite a alternância entre materiais, sem necessidade de paragem do processo para troca ou lavagem do injetor. Outras potencialidades do processo incluem a colocação automática dos elementos dos pavimentos e dos azulejos, bem como a instalação das condutas de redes de águas, energia e comunicações. O Contour Crafting permite até a pintura automática final da estrutura, como se de uma linha de montagem se tratasse, sendo considerado pelos cientistas como um processo que produz estruturas mais fortes do que os métodos tradicionais de construção. Torna-se também mais económico, pois enquanto o sistema ergue as paredes os trabalhadores ficam responsáveis pelos acabamentos.


O professor Behrokh Khoshnevis  refere ainda que o Contour Crafting tem também potencial para construir prédios com vários andares, já que a sua estrutura pode ser movida conforme o processo avança. Para além disso, garante que não tem de haver preocupação com casas iguais, uma vez que possibilita a criação de paredes curvas e de detalhes arquitetónicos exóticos, que normalmente resultariam em custos de produção bastante altos. O projeto ainda está em fase de testes sendo a pesquisa financiada pela NASA e pelo Cal-Earth Institute. O objectivo, vejam só, é o erguer construções em locais tão diversos e surpreendentes como a Lua.


Analisando com mais pormenor o estudo da arte descobrimos que a Panasonic no Japão já está a criar uma cidade inteligente utilizando as impressoras 3D. A 40 quilômetros de Tóquio, num local de 190 mil metros quadrados, onde anteriormente tinha existido uma fábrica, a fabricante japonesa de produtos eletrônicos está a criar a Cidade Sustentável Inteligente Fujisawa, com privilégio de vista para o Monte Fuji. No total serão 1000 casas que irão albergar cerca de 3 mil pessoas. A cidade vai gerar 30 % de sua energia utilizando a energia solar e terá serviços de partilha de carros e bicicletas elétricos e economizará 30% de água em relação ao padrão médio japonês. Cem famílias já vivem lá desde abril de 2014.


Webgrafia:

http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/planeta-urgente/corporacao-japonesa-cria-cidade-inteligente-e-sustentavel/

http://www.hypeness.com.br/


Fotografia de capa por kakissel

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Margarida Martins

Presidente da Assembleia-geral da Associação Juvenil Odisseia
Fundadora da Associação Juvenil Odisseia em 1998 procurou dar uma resposta alternativa ao associativismo local. Licenciada em Psicologia, Mestrado em Orientação e Desenvolvimento da Carreira e Doutoramento em Excelência Empresarial, trabalha na área da educação há mais de 30 anos. A educação é o seu grande objectivo lutando para a adequação de estratégias perante os desafios do século XXI. No presente, encontra-se a participar no projeto nacional "A New Beginning for Portugal".

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