Enquanto empresários numa actividade demasiado dependente das oscilações da economia, torna-se crucial estar atentos a todas as análises e estatísticas económicas que vão sendo disponibilizadas por diversas entidades como ferramenta para ajustamento do nosso planeamento, gestão da carteira de trabalhos e análise de todas as oportunidades do mercado nacional e internacional.

   

O grande problema, para a maioria dos industriais deste sector, é planear, tendo como base de trabalho as estatísticas e respectivas interpretações dos nossos analistas de economia, algumas influenciadas por doutrinas políticas de ocasião ou interesses dos grandes grupos económicos. A AECOPS, reconhecendo a importância de estatísticas isentas e credíveis, bem como  análises sectoriais independentes e objectivas, tem dedicado grande esforço e recursos a este trabalho, traduzindo em números a fria realidade desta indústria, que apesar da grave crise, continua a deter especial importância na economia nacional.

   

Mas ano após ano, estatística após estatística, cada vez se torna mais complicado analisar quebras sistemáticas na produção ou pequenas subidas de alguns indicadores, na esperança de vislumbrar sinais de esperança para os nossos associados, que sejam fidedignos, motivadores e que lhes abram perspectivas diferentes de uma gestão de momento com a qual têm convivido nos últimos anos a maioria das empresas desta indústria.

   

As análises de conjuntura que fomos fazendo ao longo de 2014, mostraram alguns sinais de recuperação sob forma de diminuição da contracção do sector, devidamente confirmados pelos nossos associados que se mostram mais confiantes em relação à sua situação financeira, carteira de encomendas e à evolução do seu quadro de pessoal.

   

Para que se possa entender melhor a situação, deixo alguns indicadores de actividade, começando pelos da construção nova de habitação, na qual o número de fogos licenciados registou, nos primeiros nove meses de 2014, uma quebra de 13,6% face ao mesmo período do ano anterior bem como a área licenciada inferior em 13,7%. Também o licenciamento relativo à reabilitação de edifícios habitacionais apresentou uma diminuição homóloga de 6,1% e o referente à construção nova de edifícios não habitacionais, uma redução de 3,9%. Em Setembro de 2013, a construção empregava cerca de 283 mil pessoas, mais 18,5 mil do que no final de 2013, mas ainda assim o número de desempregados com origem no sector atingia os 78 mil no final de Setembro. No mercado das obras públicas, o montante das obras lançadas nos primeiros nove meses do ano caiu 6,1%, enquanto o valor das obras contratadas aumentou 34,1%. De salientar ainda que o montante de crédito bancário concedido ao sector manteve, uma trajectória negativa, tendo diminuído para um valor inferior a 16 mil milhões de euros em Setembro, ou seja, menos 5,5 mil milhões do que o stock de crédito apurado no mesmo mês de 2012. Simultaneamente, nos últimos dois anos, o peso do crédito mal parado no total do crédito concedido ao Setor aumentou de 18% para 28%.

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Alfredo Lopes

Diretor Executivo Regional AECOPS

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