A perda da memória é algo que normalmente preocupa as pessoas, sobretudo quando as falhas a este nível começam a interferir com aquilo que a pessoa se propõe fazer. Os problemas de memória afectam, contudo, não somente os idosos, mas também pessoas mais novas.


Por esse motivo, é fundamental avaliar a gravidade das queixas de modo a que a pessoa possa receber o tratamento adequado. É ainda importante reforçar que uma intervenção precoce a este nível ajuda a minimizar o risco de se deteriorarem progressivamente funcionalidades a nível cognitivo e do estado mental.


Pela experiência que tenho vindo a desenvolver, constato que, não raras vezes, os problemas de memória que me são apresentados, “mascaram”, em algumas situações, depressões crónicas que se arrastam há anos.


Uma das mais importantes funções cognitivas afectadas pela depressão é a capacidade de resolução de problemas e a dificuldade de concentração e, consequentemente, a memória também é afectada. Quando estas competências apresentam deficits, é normal que a pessoa se sinta menos confiante e, consequentemente, mais angustiada.


Os déficits na capacidade de resolver problemas e nas dificuldades de concentração manifestados, acabam por reforçar aquela que é a suspeita da pessoa, pois muitas vezes a pessoa apresenta fracassos reais no lidar com situações quotidianas, que acabam por reforçar suas ideias de incapacidade e menos valia.


Perante o que aqui foi dito, depressa chegamos à conclusão da importância que a memória representa nas nossas vidas e do impacto que, eventuais falhas a este nível, poderão ter na vida das pessoas.


Neste sentido, é importante perceber o que poderá estar na origem dos esquecimentos e dos lapsos que, a determinada altura, começam por representar um problema grave na vida das pessoas e que, como foi dito acima, não ocorrem exclusivamente em pessoas mais idosas.


Sensível a esta temática, a Clínica da Família em Setúbal, tem em curso desde há 2 anos, uma consulta promocional de avaliação cognitiva. A realização de uma avaliação cognitiva é um procedimento útil na avaliação global, que permite ao técnico responsável pela avaliação obter informações que subsidiem tanto o diagnóstico etiológico do quadro em questão como ao planeamento de um programa terapêutico e de reabilitação de acordo com as dificuldades identificadas.


Para além da avaliação cognitiva, durante a consulta são também aprendidas estratégias facilitativas com o objectivo de minimizar o impacto das queixas.

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Ana Cardoso

Psicopedagoga na clínica da família (Setúbal); investigadora no Centro de Estudos de Doenças Crónicas (FCM-UNL).
Desde 1999 que trabalha na área da saúde mental. Exerceu funções clínicas no Hospital Miguel Bombarda até 2007. Desde essa altura que tem colaborado com o departamento de saúde mental da Faculdade de Ciências Médicas, participando em vários projectos de investigação científica (avaliação de necessidades, intervenções familiares, doenças neuropsiquiátricas, adesão ao tratamento). Mestrado em Saúde Mental pela FCM. Várias publicações científicas realizadas na área da saúde mental.

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