A Grã-Bretanha foi pioneira ao reconhecer a importância das pequenas empresas e o seu impacto no crescimento económico (Filion, 1999). Esta relevância continua atual e, em Portugal, estas empresas são geradoras de novos empregos e manifestam indubitável pertinência social. Também no setor do turismo estas empresas mantêm este papel relevante.

As micro e pequenas empresas apresentam características específicas, uma delas é a figura dominante do seu(s) fundador(es). Geralmente estas empresas surgem sob a direção de um ou poucos indivíduos que empreendem um projeto que consideram seu, existindo frequentemente um forte individualismo. Acresce ainda o caráter familiar de muitas destas pequenas empresas, onde o empreendedor, muitas vezes o chefe de família gere o negócio de acordo com a visão da família. Outra característica a salientar nas empresas familiares, quer das empresas em nome individual, quer daquelas com um número de sócios reduzido, é a sua capacidade empreendedora. Muito frequentemente, estas empresas apresentam especificidades do empreendedor schumpeteriano, descobrindo novos produtos ou serviços, novos métodos de produção, novas formas de comercialização e de distribuição, ou ainda novos mercados ou novas fontes de matérias-primas para a produção de um determinado produto.

Apesar da atualidade da visão shumpeteriana da figura do empreendedor, no que concerne aos aspetos anteriormente referidos, esta atribui o sucesso de uma economia a um indivíduo — o empreendedor. E, atualmente, a complexidade do ambiente empresarial exige uma nova cultura e uma nova forma de fazer negócios suportada na necessidade de se trabalhar coletivamente através de parcerias e alianças estratégicas.

Se por um lado, a globalização é um fenómeno incontornável em termos económicos, em termos sociais, a regionalização e a descentralização podem constituir uma resposta inteligente aos efeitos negativos desta globalização, assim como à necessidade das regiões encontrarem os seus fatores de desenvolvimento e tornarem-se competitivas. Os sistemas económicos locais competitivos devem resultar de um planeamento regional no sentido de promover aglomerações económicas (clusters) competitivas e simultaneamente uma dinâmica social e comunitária relevante.

Contextualizando na região de Lisboa, onde a Península de Setúbal está inserida, e, sendo o turismo um setor estratégico com um elevado potencial de desenvolvimento económico e social, este deve ser reconhecido como um potencial cluster competitivo. Exige-se assim, um devido planeamento que promova e viabilize o desenvolvimento das micro e pequenas empresas neste setor. Trabalhando em conjunto, estas empresas reduzem custos, ganham flexibilidade, complementaridade, rapidez, estabelecem uma relação de confiança entre si e, simultaneamente, conseguem criar um equilíbrio entre cooperação e competitividade.

Adicionalmente a este trabalho de cooperação entre micro e pequenas empresas, devem ser desenvolvidos esforços na criação de uma base de conhecimento para todos os atores, não somente económicos, mas também sociais, envolvidos no processo de desenvolvimento regional, promovendo uma linguagem comum, desenvolvendo redes relacionais e fomentando uma real colaboração estratégica e operacional que conduza a um resultado sinergético para a região.
Fotografia de Gustty

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Teresa Costa

Professora Adjunta na Escola Superior de Ciências Empresariais
Professora Adjunta no departamento de Economia e Gestão do Instituto Politécnico de Setúbal, é atualmente Diretora do Mestrado em Ciências Empresariais e da Pós-Graduação em Gestão e Marketing Turístico. Doutorada em Gestão encontra-se a fazer o pós-doutoramento em Gestão na Universidade de São Paulo, sobre o tema do Empreendedorismo e Capital Social em Turismo Rural. É autora de capítulos de livros e vários artigos científicos publicados em jornais e revistas nacionais e internacionais. Faz parte de vários projetos de investigação nacional e internacionais e de comités científicos de diversas conferências e revistas internacionais.

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