Quantas coisas se modificaram desde o 25 de Abril…principalmente no que respeita à educação. Houve uma clara degradação do papel e da imagem do professor e da qualidade de trabalho relativamente ao ensino. Continuam os sonhadores e aqueles que não podem sair do sistema. Quanto aos alunos, esperam por melhores dias de Dom Sebastião, queira a bruma queira vir ou não.

A figura do professor que era tão respeitada enquanto figura detentor do poder associado à sabedoria, teve um período, um hiato. No auge revolucionário, cometeram-se erros que se pagaram caro a médio e a longo prazo. Hoje, protestamos nas ruas, encerramos portões a cadeado, fechamos portas de aulas, não fazemos exames. Chamamos a atenção para a nossa condição, gritamos palavras de protesto e pintamos cartazes ou as caras.

Os nossos alunos não entendem muito bem o que se passa, a não ser o de estarem numa encruzilhada entre os professores e os próprios pais, que também transmitem a sua mensagem e que são uma parte importante e interveniente no processo de socialização. A confusão é total, já para não falar num governo surdo, que permanece insensível aos verdadeiros dramas humanos de professores, por exemplo casados, em que um é colocado 300 km afastado do outro, ou em que um professor com horário incompleto, tem de pagar casa e sustentar a sua, que ficou na sua terra de origem.

A educação, o ensino, é um problema complexo, já mo disseram muitas vezes. Acredito que sim porque envolve várias variáveis. È muito difícil colocá-las todas em diálogo, num diálogo frutuoso e franco, em que cada parte fale sobre as suas mazelas e vitórias (pequenas!), mas conquistadas a suor e a lágrimas. O diálogo é a palavra-chave. Sem narizes empinados nem fatos engomados.

E que a liberdade seja comemorada!
Fotografia de capa por The U.S. National Archives

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Conceição Pereira

Antropóloga e professora desempregada
Cidadã solidária para com a sociedade.

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