No último domingo houve eleições na Grécia. O partido que ganhou as eleições, o  Syriza tinha prometido em campanha eleitoral o fim da política de austeridade na Grécia. Durante o seu discurso de vitória o Presidente do partido Alexis Tsipras afirmou o novo rumo económico para o País.


O novo primeiro ministro da Grécia afirmou que o resultado das eleições no seu País é um triunfo “dos países da Europa que lutam contra a austeridade”. Esse novo rumo terá como primeiro objetivo renegociar a dívida da Grécia com a troika.


A dívida da Grécia é neste momento a maior entre todas as dos países da União Europeia. Ronda já os 177 % do (PIB) Produto Interno Bruto do País, ou seja, tem um valor acima dos 410 mil milhões de euros e só em juros a Grécia é obrigada a pagar mais de 30 mil milhões de euros o que significa cerca de 970 euros… por segundo.



Em comparação a dívida de Portugal é de 129% do PIB, ou seja, acima dos 268 mil milhões de Euros, com juros anuais de 9 mil milhões de euros, 287 Euros por segundo.


Com um crescimento muito baixo – a estimativa do ano passado é de 0,4% – e com uma taxa de desemprego de quase 26 % da população ativa, o novo governo grego enfrenta um grande problema económico. É de referir que o desemprego de longa duração atinge na Grécia quase 20 % e o desemprego dos jovens ultrapassa os 50%, sendo que estes indicadores duplicaram desde a intervenção da troika na Grécia.


Na última semana o perigo de deflação fez com que o presidente do Banco Central Europeu propusesse importantes medidas de intervenção nos mercados, com injeção de dinheiro para estimular a economia. A Grécia já enfrenta uma deflação desde o início de 2013.


As reformas estruturais e os cortes exigidos pela troika conduziram o país, que já se encontrava no princípio de uma recessão, para uma queda abrupta do PIB contrariamente ao que a troika acreditava no seu relatório inicial, onde se podia ler que “a Grécia poderia aplicar duras medidas de austeridade com pequenos efeitos no crescimento e emprego”. A Grécia estimulada pelas sucessivas exigências da troika, no entendimento de Paul Krugmam, até cortou a despesa pública muito mais do que estava previsto inicialmente e portanto não se pode afirmar que não tenha feito o suficiente para satisfazer as exigências. Krugman acredita que “o resto da Europa deveria dar uma oportunidade ao novo governo da Grécia para acabar com o pesadelo do país”.


Num artigo publicado na segunda-feira depois das eleições gregas num jornal norte-americano, Krugman chama a atenção que “haverá muita gente, certamente, a avisá-lo (Tsipras) para abandonar essa promessa e comportar-se ‘responsavelmente’”.


Toda a União Europeia se encontra na expectativa dos impactos destas eleições e das tomadas de decisões do novo governo grego.


Em Portugal vamos esperar para ver e vamos “na onda” como é habitual.


Só a título de curiosidade há 62 anos no dia 27 de fevereiro de 1953 foi assinado o acordo de Londres sobre a dívida alemã. Foi acordado o perdão de 50% da dívida contraída em 1920 e a outra parte da dívida seria paga num período bastante alargado – 30 anos e foi feito o reescalonamento dos pagamentos de amortizações. A totalidade da dívida foi paga com a emissão de obrigações só em Outubro 1990. Entre os muitos países que perdoaram 50% da dívida alemã contam-se a Espanha, a Grécia e a Irlanda.

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Boguslawa Sardinha

Professora de economia
Nascida na Polónia, doutoramento europeu em economia, investigadora na área de economia social; professora da ESCE/IPS desde 1997.

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