O empreendedorismo assumiu nos últimos anos em todo o mundo um papel primordial como motor da criação de emprego e de riqueza, o que se ficou a dever em parte às elevadas taxas de desemprego registadas particularmente nos países ocidentais. Neste contexto, a educação para o empreendedorismo é entendida como uma estratégia fundamental para a promoção de competências essenciais e do espírito empreendedor nos diversos níveis de ensino.

Nos últimos anos, Portugal tem acompanhado a tendência registada mundialmente e surgem cada vez mais estudos académicos e projetos dedicados a este assunto, sobretudo nas escolas dos diferentes níveis de ensino. Porém, os programas de educação para o empreendedorismo no contexto de incubadoras empresariais, são ainda escassos, ainda que hajam alguns bons exemplos, na região de Aveiro ou em Cascais.

Adicionalmente, pode-se referir que não existe ainda uma definição única unanimemente aceite para educação para o empreendedorismo, sendo um tema que tem vindo a receber diversos contributos nos últimos anos. Podemos, porém afirmar que a proposta mais consensual define educação para o empreendedorismo como a atividade de transmissão/ensino de habilidades e competências específicas associadas ao empreendedorismo, bem como, aos programas de educação e de formação que visam gerar resultados em termos de empreendedorismo.

As incubadoras empresariais, podem dar um contributo relevante para a imersão dos jovens no ecossistema empreendedor, podendo existir intervenções formativas formais (curriculares ou extracurriculares) com o objetivo de fornecer aos estudantes habilidades e competências empreendedoras, ainda que não tenham como principal intuito formar para a criação de empresas, pois estamos na presença de crianças e de jovens em fase escolar.

Dentro desta discussão, tem sido ainda focada a distinção entre educação para o empreendedorismo e educação em gestão. Ainda que ambas as perspetivas possam promover o desenvolvimento de novos negócios e a iniciativa empresarial o ensino de gestão tradicional prepara em regra os estudantes para trabalharem em grandes empresas estabelecidas e por conta de outrem. Esta última abordagem está a ficar ultrapassada face ao atual paradigma que marca o mercado de trabalho global. Muitas vezes as escolas empresariais preparam os seus estudantes para a análise de grandes quantidades de informação e para encontrarem soluções; enquanto que os empresários tendem a operar em condições de pressão com calendários e recursos sujeitos a restrições e na posse de pouca informação credível.

Estas diferenças levam-nos a sublinhar a importância de aproximar o mundo académico ao empresarial no que concerne à educação para o empreendedorismo júnior, criando contextos que valorizam a figura do empreendedor e aproximam os jovens da realidade empresarial.

Não existem em geral estudos de educação para o empreendedorismo aplicados neste domínio, ou seja, a modelos de educação para o empreendedorismo desenvolvidos por incubadoras empresariais. Porém, em todo o mundo surgem cada vez mais projetos desta natureza promovidos por incubadoras empresariais, que reclamam a sua pertinência por trazerem os jovens para os ecossistemas empreendedores que se assemelham ao ambiente de negócios, e, ainda por permitirem que se aprenda a ser empreendedor fazendo, e não através de abordagens teóricas e de formação num modelo mais tradicional. Este modelo pode ser entendido como o casamento entre a incubação e a educação, que resulta numa formação que engloba uma vertente prática e que se aproxima ao mundo dos negócios.

Esta crónica baseia-se no artigo:
Carvalho, L.; Wiliams, B. (2015) “Educação para o Empreendedorismo e Incubadoras Empresariais: Estudos de Caso em Portugal e no Brasil” I Jornadas de Educação para o Empreendedorismo, Instituto Pedro Nunes, 8 de Abril de 2015, Coimbra, Portugal.

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Luísa Carvalho

Professora na Universidade Aberta
Doutora em Gestão pela Universidade de Évora, Portugal. Professora na Universidade Aberta e professora convidada da Universidade de São Paulo – Brasil. Investigadora do Centro de Estudos de Formação Avançada em Gestão e Economia (CEFAGE) da Universidade de Évora. É autora de livros, capítulos de livros e diversos artigos em revistas nacionais e internacionais e membro de diversos projetos de investigação nacionais e internacionais.

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