De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) as doenças crónicas são a principal causa de morte e de incapacidade no mundo. As doenças cardiovasculares, o cancro, a diabetes, a obesidade e as doenças respiratórias, representam cerca de 60 por cento do total de 60 milhões de mortes por ano. Os países mais desenvolvidos e os países em vias de desenvolvimento são os mais afetados. Mas se por um lado o índice de mortalidade é assustador, não menos preocupante é a morbilidade, responsável a elevado absentismo.
Os processos de industrialização, urbanismo e o desenvolvimento económico e a globalização alimentar que têm conduzido à alteração dos regimes dietéticos, por um lado e, por outro, o sedentarismo e o aumento do consumo do tabaco, em conjunto ou isoladamente, levaram à expansão das doenças crónicas.
Ora, todos nós sabemos que a maior parte das doenças cardiovasculares devem-se a dietas pobres em frutas e em vegetais, a colesterol elevado, ao excesso de sal na alimentação, tudo isto, agravado pelos hábitos sedentários, ao tabagismo e ao consumo de álcool.
Grande impacto no capítulo das doenças crónicas é o aumento da incidência da diabetes, em particular do tipo II.
Mas, pergunta-se: Porque é que as doenças crónicas têm vindo a aumentar duma maneira tão assustadora?
Os hábitos alimentares alteraram-se. Os alimentos, hoje em dia, são mais calóricos, com elevado nível de açúcar e/ou de gorduras saturadas e muitas vezes excessivamente salgados. O açúcar e o sal são viciantes.
Hoje sabe-se que a mudança dos hábitos alimentares, ingestão de “fast-food”, em que há consumo excessivo de hidratos de carbono, a par de um estilo de vida sedentário, associados a muitas horas consumidas em jogos electrónicos, consolas e computadores, está a acontecer num ritmo mais rápido nos países em vias de desenvolvimento, por comparação com o que já havia acontecido nos países desenvolvidos.
Então o que fazer?
Só através da alteração do estilo de vida se poderá inverter a tendência dos últimos tempos, melhorando a qualidade da dieta alimentar – reduzindo alimentos salgados e doces, aumentando o consumo de vegetais e de fruta, substituindo as gorduras animais saturadas, caso dos alimentos fritos por gorduras vegetais insaturadas, por exemplo o azeite, mas também praticar exercício físico diário, manter um peso normal e eliminar o consumo de tabaco.Fotografia de capa por SOMBILON PHOTOGRAPHY | GALLERY | VIDEOGRAPHY

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Luís Cabrita

Médico Pediatra

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