Portugal continua a ser um dos Estados-Membros a registar dos mais elevados níveis de desemprego e, sobretudo, de desemprego jovem. Aliás, de acordo com o último Eurobarómetro, esta é uma preocupação que aflige 70% dos portugueses inquiridos. Dados recentes do Eurostat vêm confirmar tal preocupação, com o registo de 34.5% da população portuguesa com menos de 25 anos em situação de desemprego.


Foi neste contexto que a Comissão Europeia decidiu disponibilizar ainda este ano mil milhões de euros provenientes da Iniciativa para o Emprego dos Jovens (IEJ), que visa, em especial, trazer os jovens de volta ao trabalho ou à formação.


Para Portugal, isto poderá representar um pré-financiamento de 48 milhões de euros ainda em 2015 dado que, atualmente, cerca de 280 mil jovens portugueses não trabalham, não estudam nem seguem qualquer formação, o que corresponde a cerca de 16% da população jovem do país.


Esta iniciativa completa os apoios provenientes do Fundos Social Europeu (FSE) nos Estados-Membros com regiões onde o desemprego jovem excede os 25% assim como o apoio do FSE à implementação da Garantia para a Juventude, que já há 2 anos proporciona aos jovens portugueses uma oferta de emprego, estágio ou formação nos 4 meses subsequentes à saída da escola ou à perda de emprego.


Ao aumentar o pré-financiamento para a dinamização do emprego jovem, a Comissão Europeia pretende chegar a cerca de 650 mil jovens desempregados ainda este ano, ajudando-os a entrar mais depressa no mercado de trabalho. Nos seus valores anteriores, o pré-financiamento só permitiria ajudar 22 mil jovens.


Este é um sinal claro dos compromissos que a Comissão Europeia assumiu no seu Plano de Trabalho para 2015. Contudo, cabe aos Estados-Membros disponibilizar de imediato estes fundos aos potenciais beneficiários, através de pagamentos antecipados para os projetos, pelo que Portugal não deve deixar de aproveitar esta oportunidade. Desta forma, os jovens não só estarão a contribuir para o desenvolvimento económico e social, como recuperam também a sua dignidade.


Por este motivo, Portugal deve fazer uso destas verbas e traduzi-las rapidamente em projetos concretos, dando de novo aos jovens portugueses as oportunidades que merecem.

Fotografia de capa por Soroll

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Maria de Aires Soares

Chefe de Representação da Comissão Europeia em Portugal

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