O turismo de natureza consiste num produto turístico estratégico que proporciona vivência de experiências de grande valor simbólico, que envolve interação e usufruto da natureza. Estas experiências podem ser de natureza soft ou hard. As primeiras referem-se à prática de atividades ao ar livre de baixa intensidade, nomeadamente, passeios, percursos pedestres, observação da fauna. As segundas relacionam-se com a prática de desportos na natureza, tais como, rafting, kayaking, hiking, climbing, entre outros, ou ainda atividades que implicam um considerável nível de concentração ou de conhecimento como a atividade do birdwatching.
De acordo com o estudo realizado por THR (Asesores en Turismo Hotelería y Recreación, S.A.) para o Turismo de Portugal, I.P., o turismo de natureza soft parece atrair mais praticantes, representando cerca de 80% do total de viagens de natureza, em oposição aos 20% do mercado hard. Contudo, segundo este estudo, quanto mais especializado é o produto/serviço consumido, maior é o gasto realizado pelo consumidor de turismo de natureza. Assim, em termos de gastos turísticos, o mercado de turismo de natureza hard, é relativamente maior do que o de natureza soft.
O mesmo estudo apresenta um perfil básico dos consumidores de viagens de natureza, estabelecendo uma diferenciação entre consumidores de natureza soft e consumidores de natureza hard. Os consumidores de natureza soft são predominantemente famílias com filhos, casais e reformados que obtém informação de forma interpessoal ou através de brochuras, compram através de agências de viagens, ficam alojados em pequenos hotéis de 3-4 estrelas e casas rurais, procuram o descanso, novas paisagens e a evasão no meio rural. Estes turistas compram maioritariamente no verão (época de férias), uma a duas vezes por ano. Os consumidores de natureza hard são essencialmente jovens entre os 20 e os 35 anos, estudantes e profissionais liberais, praticantes de desportos, que obtém informação através de revistas especializadas, clubes ou associações e internet, compram pela internet e associações especializadas e procuram a prática de desportos, aprofundar o conhecimento da natureza e a educação ambiental. São turistas que compram frequentemente (até cinco vezes ao ano), geralmente na primavera e verão.
Segundo o gabinete de estudos da AEP (Associação Empresarial de Portugal) espera-se que em 2015 as viagens de turismo de natureza na Europa atinjam os 43,3 milhões de viagens. No entanto, os consumidores ou os praticantes de turismo de natureza em Portugal são maioritariamente provenientes do mercado interno. Os poucos consumidores estrangeiros são visitantes que viajaram para Portugal por outros motivos e que, acabam por praticar uma modalidade de turismo de natureza.
A continuidade deste crescimento depende de um conjunto de fatores, tais como, a existência de uma maior consciência ambiental entre a população dos países emissores de turismo; a preferência por destinos turísticos não massificados, a preferência por férias ativas em detrimento de férias passivas, a procura de experiências autênticas com forte valor ambiental, uma maior disseminação da oferta de turismo de natureza na internet.
Sendo o turismo de natureza uma aposta na Serra da Arrábida coloca-se um grande desafio a todos os stakeholders que acreditam neste produto turístico. Este desafio deve começar por atrair um consumidor “certo”, não somente interno mas também externo, podendo oferecer experiências de turismo de natureza soft em complementaridade com outras atividades, nomeadamente do enoturismo. No entanto também o investimento na especialização e na oferta de experiências hard com um interessante valor económico para a região, gerador de mais receitas e com uma menor dependência sazonal deverá ser ponderada podendo esta oferta ser aliada a outras modalidades praticadas não somente na época alta, mas também combinadas com outras atividades complementares oferecidas na região ao longo de todo o ano.

Fotografia de Bosc d’Anjou

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Teresa Costa

Professora Adjunta na Escola Superior de Ciências Empresariais
Professora Adjunta no departamento de Economia e Gestão do Instituto Politécnico de Setúbal, é atualmente Diretora do Mestrado em Ciências Empresariais e da Pós-Graduação em Gestão e Marketing Turístico. Doutorada em Gestão encontra-se a fazer o pós-doutoramento em Gestão na Universidade de São Paulo, sobre o tema do Empreendedorismo e Capital Social em Turismo Rural. É autora de capítulos de livros e vários artigos científicos publicados em jornais e revistas nacionais e internacionais. Faz parte de vários projetos de investigação nacional e internacionais e de comités científicos de diversas conferências e revistas internacionais.

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