O ginecologista congolês recebeu o prémio no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, das mãos de Martin Schulz, Presidente da instituição. Denis Mukwege criou um hospital em Panzi, na República Democrática do Congo, dedicando-se ao tratamento de mulheres vítimas de violência sexual. Na cerimónia, o médico afirmou que “o corpo da mulher é transformado num verdadeiro campo de batalha”. “Em cada mulher violada veja a minha mulher, em cada mãe violada vejo a minha mãe. Em cada criança violada vejo os meus próprios filhos. Como posso calar a minha voz?”, questionou.

O médico que já tratou, desde 1999, mais de 40 mil mulheres e raparigas vítimas deste crime, salientou que, “com este prémio, o Parlamento Europeu resolveu dar maior visibilidade à mulher congolesa. Reconheceu o seu sofrimento, mas também a coragem que encarnam”.

“Este prémio não terá contudo qualquer significado para as vítimas de violência sexual se vocês não se juntarem a nós na nossa procura por paz, justiça e democracia”, já que “não haverá paz e desenvolvimento social e económico sem respeito pelos direitos humanos”, afirmou perante os 751 eurodeputados ao PE e perante um grupo de compatriotas.

No seu discurso, Denis Mukwege apelou ainda para o fim da violação como “arma de guerra”.

No final de um discurso emotivo e impressionante, um grupo de congoleses presentes no plenário entoou cânticos religiosos de consagração.

O Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento foi instituído em 1988 e os primeiros galardoados foram Nelson Mandela e Anatoly Marchenko (a título póstumo). Em 2013, a laureada foi Malala Yousafzai, a jovem paquistanesa que luta pelo direito das raparigas à educação, recentemente agraciada com o Prémio Nobel da Paz.

Papa Francisco visitou o Parlamento Europeu

 

Na sessão plenária de novembro em Estrasburgo, o Papa Francisco discursou igualmente perante os eurodeputados, apelando para que estes construam “uma Europa que gira, não em torno da economia, mas da sacralidade da pessoa humana”, criticando a centralidade das “questões técnicas e económicas” no debate político.

“Chegou o momento de abandonar a ideia de uma Europa assustada e curvada sobre si própria”, afirmou ainda o chefe máximo da Igreja Católica.

Há 26 anos que o Parlamento Europeu não recebia a visita de um Sumo Pontífice. O Papa Francisco realçou que “muita coisa mudou” desde então, já que hoje “já não existem blocos a dividir a Europa”. Todavia, não deixa de considerar que a Europa é agora “envelhecida, que tende a sentir-se menos protagonista”.

Após a sua visita ao Parlamento Europeu, Francisco deslocou-se ao Conselho da Europa, uma organização que tem como propósito defender a paz, a democracia e os direitos humanos.

Fotografia de capa por Sean Kelly MEP

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